quarta-feira, 6 de março de 2013

A graça bendita de ser mulher!!! - ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

O óleo da graça bendita de ser mulher escorre pela minha cabeça, descendo com toda a sua essência pelas mexas longas dos meus cabelos e da pele delicada do meu pescoço em uma unção plena de luz angélica, glória sublime e fogo divino.

           Sou o templo de Deus, daquele que é uno, mas também é trino, o que chamam de incriado, contudo é criador de todas as coisas, inclusive de mim, uma das duas coroas de ouro de toda a obra prima da sua criação.

           Sou aquela que fui expulsa junta com o meu companheiro o homem do jardim das delicias da divindade, e isto porque cai na tolice de dar ouvidos á serpente profana, aquela que é a mãe de todas as heresias dirigidas contra o Santo dos santos.

           Eu sou o anjo caído que nunca teve um par de asas para voar, pois sempre foi com a minha mente poderosa que alcei meu vôos mais elevados e portentosos, dela sempre procedeu uma brilhante inteligência criativa de um conteúdo tão infindável quanto o tamanho do próprio universo.

          Mas ao dizer-te isso oh minha alma amiga, explico-te que por milênios a sociedade machista e patriarcal em que sempre vivi e existi quis me castrar no que concerne ao uso em toda a sua plenitude desta minha mesma inteligência criativa da qual lhe falei. 

         Assim que nascia e até hoje em alguns lugares de nosso planeta ainda isso ocorre, era e é colocada uma mordaça de cor negra na boca da mulher acompanhada com a seguinte recomendação:- A nenhum ser humano do sexo feminino é permitido o direito de pensar livremente e falar abertamente expressando seus sentimentos, idéias e emoções, só lhe caberá deste modo feito, abaixar a sua cabeça e submeter a sua vontade ao comando absoluto e irrestrito do seu dono e senhor, á saber o homem. 

        Desde que me conheço por um ser feito de carne, sangue e ossos sempre foi assim, ao homem era lhe dado o direito de usar toda a sua capacidade cerebral e todas as potencialidades de sua alma ao extremo, enquanto que a mulher lhe era negado este mesmo direito de agir como um ser pensante e que possuía sentimentos, como se somente ao seu companheiro pelo mero fato deste pertencer ao sexo masculino fora concedido pelo criador às faculdades de pensar e sentir, o que tal coisa nunca foi verdade.

       Hoje com o passar dos séculos e depois de muita luta junto á consciência masculina, gritando e bradando aos seus ouvidos sobre a necessidade que eu sempre tivera de ter os mesmos direitos salvaguardados que o homem desde sempre possuirá de pensar, sentir e por conseqüência disto o de existir, consegui conquistar meu espaço neste território que por muito e muito tempo ficou demarcado pelo porco-chauvinismo dos filhos de Adão. 

       Eu sou a filha, a mãe, a neta, eu sou o útero de onde é gerado o gênero humano, eu sou a sacerdotisa da vida humana, eu sou Ester, Afrodite, Cleópatra, Madonna, eu sou também Mata hari, Gisele Bündchen, Madre Teresa de Calcutá e a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, eu sou todas as mulheres que porventura chegarem a ler essas minhas palavras presentes neste singelo texto.


Fonte: O Anjo das Letras