quarta-feira, 13 de junho de 2012

Uma menina má - Julie Elizabeth Leto - Cap. I


CAPÍTULO UM
- Se eu fosse esse doce, poderia morrer neste exato instante, pois seria um homem feliz.
Lauren LaCroix ignorou a voz masculina e com a mão continuou removendo o açúcar que caíra entre seus seios. As nova-iorquinas não davam muita importância a insinuações, sobretudo se aqueles que as faziam eram homens especialistas em sedução sexual, como Luc Dupre.
Entretanto, ela não se encontrava mais em Nova York. Retornara a sua casa em Nova Orleans e se achava prestes a enfrentar aquele que a magoara oito anos antes e a deixara para trás, de coração partido.
A bem da verdade, Lauren fizera mais que isso. Transformara-se em uma mulher totalmente nova, uma a que Luc não seria capaz de resistir.
Ela ergueu a cabeça e fitou com dureza os olhos azuis claríssimos de Luc. Sua libido traidora a fez tremer por dentro, mas conseguiu controlar a vontade que sentia de saboreá-lo, de beijá-lo. Certo, iria fazer dele um homem feliz, antes de partir.
- Meu caro, Luc, se você fosse este delicioso doce... -  Lauren bateu as palmas uma na outra para remover delas o resto do açúcar. - ... eu teria conseguido afastá-lo de mim com tanta facilidade?
Um sorriso lento e fácil, como o nascer do sol no Mississipi, brilhou nos olhos de Luc. Mas as sobrancelhas espessas e escuras, que combinavam com os cabelos longos, se arquearam em resposta.
Lauren sorriu, satisfeita. Apostaria seu conjunto inteiro de malas Gucci como ele não esperava que ela não caísse em seu lendário charme. Por que esperaria? Lauren um dia fora seu brinquedinho dócil e complacente, fantasiando com casamento, lar e amor. Então, Luc a dispensara.
Lauren era, na época, muito jovem e tão apaixonada. E, sem saber, Luc lhe fizera um favor despedaçando-lhe o coração. Se tivesse ficado com ele em Nova Orleans, ela jamais teria encontrado determinação ou coragem para descobrir quem realmente era: uma mulher forte, inteligente e cheia de energia. Não precisava mais de um homem para lhe dizer o que ela queria.
Agora poderia dizer isso a Luc. Melhor ainda: poderia mostrar-lhe.
O ruído de metal raspando no concreto soou quando Luc puxou uma cadeira e se juntou a Lauren, sem ser convidado. O pátio no Café du Monde estava surpreendentemente vazio para uma manhã de sexta-feira, e Lauren havia planejado comer alguma coisa, sozinha, antes de familiarizar-se de novo com a cidade. Tinha apenas o fim de semana para organizar uma proposta que impressionaria seu editor. Na fila de uma cobiçada promoção, ela sabia que seu artigo “Noites eróticas na cidade” poderia lhe dar preferência total sobre outros candidatos.
Porém, estivera longe de Nova Orleans por tempo demais. Embora Luc e a ideia de convencê-lo a ser seu guia turístico particular fizessem parte de seus planos, não estava preparada para o fato de que ele a encontraria primeiro.
Às vezes, o destino trabalhava de formas misteriosas. De todo modo, Lauren aprendera a não discutir com o inevitável. Antes que pudesse perguntar como ele sabia que ela estava na cidade, Luc roubou uma das três rosquinhas do prato dela, deu uma mordida e gesticulou para o garçom mais próximo, pedindo-lhe que lhe trouxesse café au lait.
- A vida deve ser doce, Ren - disse Luc, com ironia. - O que a traz de volta para casa?
- Negócios, principalmente.
Ele assentiu e mordeu um pedaço da rosquinha, a expressão casual, como se soubesse tudo sobre a vida nova e as diferentes atitudes dela e não precisasse de detalhes.
Lauren meneou a cabeça, imaginando se Luc continuava arrogante e prepotente como sempre. Ele não tinha como saber que, nos últimos oito anos, ela se formara na faculdade, trabalhara arduamente e, em breve, poderia ser nomeada editora de destaque de uma grande revista feminina. Lauren conhecia celebridades. Supervisionava orçamentos de mais de um milhão de dólares. Encontrava as maiores supermodelos da indústria ou estilistas de moda apenas para conversar ou almoçar. Não tivera nenhum contato com Luc desde então, exceto pelo cartão que ele lhe enviara por intermédio de tia Endora no seu recente aniversário de 30 anos.
No momento em que o leu - “Espero que você tenha encontrado tudo o que sempre quis. Luc”, Lauren se abalou. Todavia, o mesmo cartão tivera o dom de despertar sua curiosidade, e por fim acabou voltando para casa.
Entretanto, mantivera suas realizações para si mesma. Talvez Endora tivesse contado a ele. Podia ser que Luc não houvesse se impressionado. Como dono da boate mais quente de Nova Orleans, a famosa Casa Sensual, ele conhecia as mesmas estrelas e supermodelos. E, com o dinheiro que a família possuía, Luc podia perder um milhão de dólares em uma única noite, jogando vinte e um no Harrah, sem sofrer o menor abalo.
- Você já ligou para sua tia, Ren?
- Ela sabe que estou aqui.
O sorriso preguiçoso de Luc se alargou. O garçom levou o café e um pequeno copo de água gelada para amenizar o calor de uma manhã incrivelmente quente.
- É claro que Endora sabe que você está aqui, chère. A pergunta foi: você ligou para ela?
- Minha tia é vidente, lembra? É mais vidente do que você é humilde.
Ele meneou a cabeça.
- Esteve longe por muito tempo, Ren. Existe uma estranha mágica que funciona nesta parte do mundo. Este é o exemplo perfeito. Nunca achei que a veria de novo em um milhão de anos, mas aqui está você, deslumbrante. Sofisticada.
Lauren engoliu em seco e pressionou os lábios com força, ciente da chama ardente nas íris cor de água-marinha de Luc, de sua própria resposta instintiva e sensual ao sotaque sulista dele, elogios não disfarçados e expressões carinhosas. Chère. Ren. Ninguém a chamava assim. Ninguém, exceto Luc.
Ela reprimiu as lembranças e terminou o café em dois goles. Precisava permanecer no controle. Aquela era sua sedução, que coisa! Tinha de estar no comando.
Quando seu editor sugerira que usasse sua cidade natal para começar o projeto, Lauren imaginou que passaria o fim de semana apenas fantasiando sobre fazer sexo incrivelmente erótico por Nova Orleans.
Mas seu artigo, “Noites eróticas na cidade”, poderia, presumivelmente, revolucionar o setor cuja rivalidade era frenética. Pretendia desenvolver um projeto sensacional, visitando primeiro os locais mais excitantes, boates da moda e lugares quentes, desde o French Quarter até o resplandecente Centro Comercial.
E observar Luc saboreando seu café com absoluta frieza, embora a temperatura beirasse os trinta graus às nove horas da manhã, fortaleceu sua decisão de ver tudo, sentir tudo, tendo Luc como seu guia particular.
Ele era o lado pecador de Nova Orleans, vivendo e respirando, e sexy como ninguém.
- Então, o que a estimulou a voltar depois de todos esses anos? - Luc segurou a caneca branca junto ao peito, forçando-a a notar como a camiseta cinza moldava-lhe os músculos fortes e rígidos. - Deve ter sido alguma coisa muito boa.
- Oh, é sim. - Ela pegou sua mochila e tirou do bolso lateral o cartão que ele lhe enviara. Então o colocou sobre a mesa sem dizer uma palavra.
Luc deu risada e meneou a cabeça, afastando uma mecha de cabelos escuros que caiu sobre sua testa.
- Eu nem sabia ao certo se o cartão tinha chegado às suas mãos - disse ele. - Mas você não precisava viajar toda essa distância para me agradecer.
Quando ele colocou a mecha de cabelos atrás da orelha, os dedos de Lauren formigaram com a recordação de deslizá-los por aqueles fios escuros e macios, provocando-lhe o lóbulo da orelha com as unhas e selando a intimidade com um beijo suave na testa.
- Não foi por isso que vim.
Luc se inclinou para a frente, invadindo-lhe o espaço com o aroma almiscarado e a presença poderosa, que o tornava tão incrivelmente irresistível e perigoso ao mesmo tempo.
- Então, por que está aqui? Você jurou que nunca mais colocaria os pés nesta cidade. Não acreditei, na época, mas você provou que eu estava errado. Até hoje.
Lauren viu Luc observá-la do topo de seus novos cabelos loiros até a ponta de suas bonitas botas pretas de couro. Ele não disfarçou a aprovação ou a clara pergunta que o olhar fazia: quem é você? Decerto não é a garotinha boba que dispensei oito anos atrás.
Oh, não, ela não era. Agora, tinha um plano absolutamente perfeito para mostrar-lhe o quanto estava diferente.
- Estou aqui para seduzir você, é claro.

Fonte: Harlequin Books