quarta-feira, 13 de junho de 2012

Uma menina má - Julie Elizabeth Leto - Cap. 4


CAPÍTULO QUATRO
- Você tem somente dois dias para ver tudo que há de excitante em Nova Orleans, certo? Não podemos perder um minuto - disse Luc.
Lauren engoliu em seco, seu olhar fixo nos longos dedos de Luc quando a mão grande desceu de seus seios para sua barriga, então parou. Ele a descansou ali de modo relaxado, como se tocá-la, nua, depois de um sexo ardente e selvagem, fosse algo que fizesse todos os dias.
- Você sempre foi um homem impaciente. - Lauren afastou a mão dele de si e se levantou, levando o lençol consigo. - O artigo que estou fazendo chama-se “Noites eróticas na cidade” - acrescentou, enfatizando a primeira palavra. - Temos oito horas de luz do dia antes de iniciar uma séria exploração.
Luc balançou a cabeça enquanto vestia a cueca.
- Apenas admita que você precisa de algum espaço, Lauren. Não vamos desfazer meu pedido de desculpas com mentirinhas bobas agora, certo?
Ela ergueu a mão direita, a palma para fora.
- Nada além da verdade. E a verdade é: preciso ir ao toalete.
Ao vê-la se afastar, Luc admitiu uma coisa. Certo, duas. Primeiro, a Lauren era dona de um traseiro de tirar lágrimas de um homem de pedra. Segundo, sem ele e a família dela por perto, para guiá-la ou influenciá-la em cada passo, Lauren de fato florescera, tornando-se uma mulher determinada, independente, incrivelmente sexy e corajosa. Deixá-la partir não tinha sido seu crime. Seu maior erro fora nunca ter ido atrás dela.
Bem, Luc Dupre nunca cometia o mesmo erro duas vezes.
- Oito horas, é? - Luc impediu que Lauren se afastasse, esticando o braço para alcançá-la. - Podemos sempre deixar a parte das “Noites na cidade” para mais tarde e nos concentrarmos no “Eróticas” outra vez.
Ela se esquivou dele com um sorriso insolente.
- Quem disse que haverá um “outra vez”?
O semblante frio de Lauren poderia ter abalado a confiança de um homem menos arrogante. Felizmente, Luc ainda tinha o eco do clímax dela para estimulá-lo.
- Eu disse... sem mentiras, lembra?
- Vamos nos vestir e talvez visitar alguns velhos lugares. Isso me ajudará a recobrar minhas forças. - Lauren desapareceu atrás da porta do banheiro. - Não lhe parece razoável?
Luc voltou a deitar na cama e cruzou as mãos na nuca.
- Este sou eu, o bom e razoável Luc Dupre.
Apesar da atitude fria de Lauren, Luc suspeitava que o encontro inesperado, louco e apaixonado dos dois, a deixara tão abalada física e emocionalmente quanto ele se sentia. E, quando a sensação de magia passasse, pretendia conquistá-la, se possível para sempre.
Luc levava uma vida excitante, dirigia um negócio lucrativo. Contudo, por mais que tentasse, não conseguia preencher o vazio em seu interior, a lacuna de insatisfação que contaminava seus dias e perseguia suas noites. Mesmo antes do telefonema de Endora, estivera pensando em Lauren, e, por consequência, lhe enviara o cartão de aniversário. Também vinha se sentindo obcecado pelo amor que ela uma vez lhe oferecera tão abertamente, o mesmo amor que ele rejeitara sem o menor cuidado. Sentia falta de Lauren. Queria-a de volta. Talvez, no passado, ela tivesse sentido a necessidade de deixá-lo para encontrar a si mesma, mas agora que retornara, mais forte e mais sensual do que nunca, Luc não poderia perder a chance de mostrar-lhe que também havia mudado. Ou, pelo menos, como seria capaz de mudar com ela a seu lado.
Quando ouviu o barulho do chuveiro aberto, Luc não perdeu tempo. Pegou a mochila de Lauren e removeu dali os panfletos com pedaços de papéis anexados. Os lugares a que ela queria ir. As imagens sexuais que haviam brotado das fantasias dela, sonhos que ele transformaria em realidade. Estudar as anotações lhe daria dicas, mostraria o segredo que precisava para persuadir Lauren a voltar para sua cama. E para sua vida.
Lauren abriu mais o chuveiro, precisando de barulho. Frenéticos e desorientados, pensamentos errantes martelavam em sua cabeça, tão alto que ela temia que Luc pudesse ouvir.
O que estou fazendo?
Suas pernas tremiam, a pele ainda formigava nos lugares que ele tocara. Nunca em sua vida deixara que as paixões a consumissem, que comandassem seus sentimentos, sua vida. Ainda se sentia zonza pelo ato de amor, o corpo pleno e vigoroso. Mas, independente do quanto sua mente e seu corpo quisessem Luc, precisava proteger seu coração, uma zona proibida.
No banho, recordou-se de que necessitava ser forte. Os toques de Luc a enlouqueciam de desejo. Não o desejo sexual, o qual ele saciara uma vez e saciaria de novo se ela permitisse. Mas, no passado, quisera mais de Luc do que apenas sexo. Tinha desejado seu coração, seu amor. Um futuro. Mas sabia que isso era impossível.
Tomou um banho rápido, retocou a maquiagem, depois escovou os dentes e voltou a prender os cabelos, enquanto forçava o cérebro a aceitar os fatos difíceis. Sua vida era em Nova York. Seu emprego era mais do que apenas importante: a maior realização de sua vida. Trabalhara com ardor, e só agora estava conseguindo a recompensa. Nada, nem mesmo o amor de Luc, faria com que desistisse de seu sonho.
E, pelo que sabia, nem um único membro da família Dupre tinha deixado Nova Orleans um dia. Sem contar a boate de Luc, a família possuía e administrava 12 restaurantes, uma pensão com café da manhã e uma loja especializada em alimentos. Ele enraizara sua vida em Nova Orleans com tanta firmeza quanto Lauren tinha enraizado a sua em Manhattan.
Mas o que um caso com Luc lhe custaria? Contanto que mantivesse o coração indisponível e suas expectativas continuassem focadas num fim de semana perverso e sensual com Luc, isso só lhe traria puro prazer. E algumas lembranças eróticas. Não era essa exatamente a premissa de “Noites eróticas na cidade”? Paixão selvagem e comportamento íntimo no meio de luzes brilhantes e multidões? Casos de amor tão rápidos e ardentes como um excitante estilo de vida da cidade?
Luc guardava algumas coisas na mochila de Lauren quando ela emergiu do banheiro.
- O que está fazendo?
Ele pendurou a mochila no ombro.
- Apenas me certificando de que você tem tudo de que precisa. Nós não voltaremos até muito, muito mais tarde.
- E quanto aos meus panfletos?
Luc riu da pilha que tinha ordenado sobre a mesinha de centro. Depois de ler todas as anotações dela, e enfiar algumas no bolso, guardara tudo que necessitava na memória.
- Quem precisa de roteiro turístico? Você tem a mim, lembra?
- Como eu poderia esquecer?
Luc se aproximou dela com dois passos largos. Sem aviso, abraçou-a pela cintura e puxou-a contra si.
Então sorriu. As possibilidades eram tão infinitas quanto a vida noturna de Nova Orleans.
- Se eu fizer direito este jogo certo, chère, você não será capaz de esquecer muita coisa sobre esse final de semana.


Fonte: Harlequin Books