quarta-feira, 13 de junho de 2012

Uma menina má - Julie Elizabeth Leto - Cap. III


CAPÍTULO TRÊS
Todas as sextas-feiras pela manhã, Endora LaCroix Deveaux ia sentar em um velho banco de ferro em Jackson Square, mais para conversar com amigos do que para praticar seus poderes mediúnicos. Nessa manhã, todavia, simplesmente observava com satisfação enquanto Lauren LaCroix, sua sobrinha caprichosa, saía do Café du Monde com o sexy Luc Dupre seguindo-a como um cachorro que acaba de perder seu osso favorito.
O homem trabalhava rápido. Endora lhe telefonara apenas uma hora atrás, no minuto em que vira Lauren descer a rua Decatur a pé, em vez da Quinta Avenida, em Manhattan. Endora havia sonhado que um membro da família retornaria para casa em breve, a fim de reencontrar o verdadeiro amor de sua vida... e Endora, de alguma forma, faria o papel de fada madrinha para aproximar o casal.
Então, avistara sua sobrinha. Lauren tinha abandonado o French Quarter oito anos antes, depois que Luc lhe partira o coração. Agora que retornara, Endora não mediria esforços para ajudá-los na reconciliação.
Até o momento, contudo, dera apenas um telefonema. Suspeitava que isso fora fácil demais, mas resolvera dar ao jovem casal uma chance para resolver as coisas sozinhos. Talvez eles nem precisassem de sua interferência, afinal de contas. E, visto que Lauren, um dia uma criança calma e maleável, sem autoconfiança para se expressar, já tinha o arrogante Luc Dupre a segui-la, Endora concluiu que o destino tinha tudo sob controle.
Lauren introduziu o cartão magnético na fechadura da porta e escondeu as mãos trêmulas da visão de Luc. Ele a alcançara do lado de fora de Jax Brewery, e chamara um táxi para que fossem ao hotel dela no Centro Comercial. Lauren fizera a reserva ali com a enganosa crença de que estaria mais no controle e menos nostálgica se ficasse hospedada longe do French Quarter. Queria que qualquer coisa que acontecesse entre eles agora fosse de acordo com os seus termos, mais como um acerto de contas do passado do que como uma reconciliação.
Tentara fazer com que Luc a amasse, apenas para ser chamada de “chorona” e “pegajosa”. Por ele. Por suas amigas. Talvez todos estivessem certos, na época. Mas Lauren usaria aquele final de semana para mostrar-lhe precisamente como havia mudado. Não que o quisesse de volta. Oh, não. Desejava apenas que Luc soubesse o que tinha perdido.
E, admitiu para si mesma, sentira falta do fogo que os toques de Luc despertavam em seu corpo, o mesmo fogo interno que fazia suas mãos tremerem agora, de antecipação. Quando não conseguiu abrir a porta, Luc retirou-lhe o cartão de plástico da mão.
- Aqui, deixe-me tentar.
Ela pegou o cartão de volta.
- Eu posso abrir a porta, Luc.
- Relaxe, Ren.
Lauren respirou profundamente e, por fim, destrancou a porta. Mas, antes que entrasse no quarto, Luc pressionou o corpo grande e musculoso contra ela. A ereção potente, as mãos fortes deslizando sobre seus braços nus, a respiração acariciando-lhe a pele sensível a atingiram como uma onda louca de desejo.
- Eu só estava tentando ajudar. Foi por isso que você me trouxe aqui, certo?
No momento em que a porta se fechou atrás deles, Lauren se virou e o empurrou contra a parede. Lauren LaCroix não trabalhava mais em câmera lenta. Luc precisava aprender que mexer com ela significava uma rápida faísca.
Lauren segurou-lhe o rosto e uniu os lábios aos dele, erguendo-lhe a camiseta para sentir a pele quente contra a sua, deliciando-se com a sensação, com a língua de Luc em sua boca.
Ele não questionou, não argumentou nem tentou diminuir o ritmo. Em vez disso, removeu-lhe o colete com uma sucessão de estalos dos botões de pressão. Em seguida, afastou-a apenas o bastante para tirar a própria camisa, então a ergueu nos braços, brincando com os mamilos através do tecido fino do sutiã branco de renda, enquanto a carregava para a cama.
Depois de livrar-se do jeans de Lauren, removeu a própria calça, dando a ela um momento para pegar um preservativo da bolsa e deslizar para baixo dos lençóis. Luc rapidamente colocou o preservativo, abrindo-lhe as pernas com mãos ávidas, antes de cobrir-lhe o corpo com o seu.
- É assim que você gosta disso agora? Ardente e rápido?
- Toque-me, Luc. Estou pronta. Não espere.
Ele a obedeceu, gemendo de prazer quando a descobriu ansiosa e receptiva. No passado, levar Lauren ao clímax exigia paciência, tempo. Contudo, ela se tornara mais experiente e mais disposta a se render ao lado físico da feminilidade, o lado que Luc preencheu com satisfação no momento em que a penetrou.
Quando ele insistiu em um ritmo uniforme e constante, Lauren pensou que enlouqueceria. E quando ele lhe capturou o olhar com o seu, desafiando-a a manter os olhos abertos e a assistir à paixão que brincava no rosto e corpo dele, Lauren soube que logo atingiria o orgasmo.
No instante em que Luc chegou ao clímax, ela tombou com ele, tonta por uma explosão de sensações e pelo pensamento errante de que agora, enfim, tinha chegado em casa.
- Você não é a garota que eu conheci - murmurou Luc, virando-se de lado, mas abraçando-a de maneira possessiva pela cintura.
- Eu o avisei.
- Sim, bem, vou agir de acordo com este conhecimento daqui para a frente.
- O que isso significa? - Ela se sentou de pernas cruzadas, numa posição confortável e relaxada, e reclinou-se contra os travesseiros macios.
Luc permaneceu em silêncio, o olhar perdido na vista do lado de fora da janela. Lauren observou os olhos azuis transparentes dele, os lábios inchados dos beijos e a contração do maxilar lindamente quadrado.
Ele pronunciara as palavras com muita seriedade. Pelo visto, ela não era a única que tinha mudado.
- Significa que sinto muito.
Lauren não disfarçou a surpresa, ou sua raiva antiga.
- Refere-se à maneira como me dispensou oito anos atrás?
- Sim, isso.
- Foi por esse motivo que me enviou o cartão? Por isso que se aproximou de mim no Café du Monde? Por culpa?
Sorrindo, ele deu de ombros, indiferente.
- Culpa, curiosidade... atração. Temos de dar um rótulo a isso?
Lauren não respondeu de imediato, refletindo sobre o presente que acabara de receber. Luc Dupre, graduado na escola do “Eu Nunca Estou Errado”, se sentia culpado? O homem que, desculpando-se ou não, um dia a tirara de sua vida sem olhar para trás, admitia estar curioso sobre quem ela era agora, mesmo depois de eles terem feito amor? Aleluia. Lá estava Lauren, pronta para um ato frio de vingança, e Luc se desculpando por seus pecados do passado.
- Sem rótulos, isso é justo - concordou ela, e pensou que era provavelmente mais seguro.
Os olhos muito claros de Luc transmitiram muitas coisas quando se arregalaram e as íris escureceram.
Luc não conseguia esconder suas emoções e, pelo que Lauren se recordava, quase nunca se dava ao trabalho de tentar. Ele queria seu perdão tanto quanto a queria. De novo. E poderia ter sorte em um ponto, pelo menos.
- Mas é bom que seu pedido de desculpas seja sincero.
Porque você acabou de destruir meu plano. O estranho era que ela achava a manobra de Luc inteligente e, que Deus a ajudasse, amável.
- Então, você aceita meu pedido de desculpas?
- Não decidi ainda - ela afirmou.
Com seu jeito sempre gentil e charmoso, Luc a trouxe de volta para baixo das cobertas.
- Bem, isso soa como um desafio fascinante. Será que você ainda me quer como seu guia turístico?
Estreitando o olhar, Lauren considerou o perigo de se envolver com Luc além daquele encontro erótico.
Então, ele passou a ponta do polegar sobre seus mamilos, o que destruiu qualquer possível relutância, como uma vela se apaga em uma tempestade. Luc conhecia os lugares excitantes melhor do que ninguém, e Lauren não se referia apenas àqueles em Nova Orleans.
- Quando nós começamos?

Fonte: Harlequin Books