quarta-feira, 13 de junho de 2012

Uma menina má - Julie Elizabeth Leto - Cap.7


CAPÍTULO SETE
Como uma segunda camada de pele, Luc pressionou-se contra ela. Os músculos dele estavam rígidos, o aroma era almiscarado e maravilhosamente excitante.
Lauren desejara fazer amor com ele naquele local, oito anos atrás. Almejara a liberdade, a confiança total em um lugar de encontro que possuía um simbolismo. Ansiara por se libertar, segura por saber que ele a afagaria, a protegeria, guardando os segredos que aprenderia quando ela tivesse revelado a total capacidade de seu corpo, coração e alma.
Contudo, a vida lhe ensinara a não confiar em alguém que mantinha o coração trancado e sem chave. Então, recusara. Logo depois disso, Luc lhe disse adeus.
Ele a chamara de covarde. Puritana. De acordo com Luc, Lauren nunca seria nada mais do que um reflexo do homem que a possuísse; e nem mesmo isso, se não aprendesse a se abrir para novas aventuras.
Ela mudara. Graças a ele.
- Posso ver como você está diferente, Ren. Vejo-a toda falante e extrovertida. Completamente destemida. - Com mãos hábeis, Luc abriu o último botão do colete de Lauren.
Um arrepio de pura excitação percorreu a coluna dela.
- Nenhuma mulher sensata é completamente destemida - disse Lauren. - Apenas escolho não deixar mais que o medo me domine.
- Nunca pretendi magoá-la, na época.
- Mas magoou. Alguns orgasmos e um pedido de desculpas não podem apagar isso.
- Nesse caso, vou tentar uma coisa nova. Que tal mais honestidade? Lauren, você não veio para cá por causa de algum artigo. Não inteiramente, pelo menos. Também veio para me dar uma lição, não é? Para me mostrar o que perdi quando a deixei. Bem, sabe de uma coisa? Você tem razão. Sei disso há muito tempo.
- Por que não foi atrás de mim?
- Não aprendo muito rápido. No momento em que me dei conta do que tinha perdido, você já tinha ido para Nova York, descobrir a verdadeira Lauren LaCroix. - Ele soltou o segundo botão de pressão do colete de couro e começou a afagar a barriga dela.
Lauren fechou os olhos e deleitou-se com as sensações que os toques de Luc provocavam. Ardentes, porém gentis. Suaves, mas honestos. Como as palavras dele.
Luc expusera os motivos dela de forma direta, e ainda assim a queria. Tanto quanto ela o queria.
- Sou apenas uma mulher que quer fazer amor com você. Por enquanto. Eu não vou ficar, Luc. Não posso.
Ele a fez virar-se, erguendo-lhe o queixo até que eles se entreolhassem.
- Não estou lhe pedindo para ficar. Mas quando fizermos amor aqui, agora... vamos fazer isso direito. No quarto de hotel foi excitante, porém rápido demais. Eu quero saboreá-la, Lauren. Fazer o ato durar. Realmente durar.
Ela tentou rir para negar o significado da ênfase naquelas palavras, mas o som saiu mais como um gemido estrangulado. Lauren pigarreou.
- Você é um homem de muitas paixões, Luc. Fica entediado com facilidade.
Ele sorriu, erguendo mais um lado da boca do que o outro, como acontecia toda vez que era pego em flagrante.
- Mas agora você é uma mulher de muitas paixões. No passado, eu era sua única paixão.
- Há um desafio aí?
- De jeito nenhum. E olhe que gosto de um desafio. Vivo por eles, na verdade.
Lauren abriu os próximos três botões do colete, revelando cada vez mais carne. Lembrou-se de respirar só depois que ele a impediu de remover a peça, quando lhe capturou as mãos e distribuiu beijos doces e suaves em cada um de seus dedos.
- Eu não estou sendo um desafio muito grande, estou?
Luc colocou a mão de Lauren em seu rosto, e ela o acariciou, sentindo os pelos da barba por fazer.
Como um fósforo prestes a se acender, uma faísca de consciência chamejou e queimou até que os mamilos de Lauren enrijecessem e sua boca secasse.
- Você não tem ideia - respondeu ele, rouco. - A menor ideia.
Luc entendia completamente o desafio, mesmo se Lauren não entendesse. Simples desejo era fácil, uma coisa química, e satisfazer tal necessidade não requeria mais do que um ato físico. Todavia, queria mais com Lauren. Ela era uma mulher sensível, profunda, inteligente e doce, mas nenhum dos dois tinha sido maduro o bastante para ver isso, até que se separassem. Lauren descobrira a si mesma na cidade grande. E, em um único dia, provara o que Luc havia muito tempo suspeitava. Lauren, totalmente desenvolvida, independente e livre, era a sua metade, sua alma gêmea.
No entanto, não poderia lhe dizer isso. As palavras soariam ensaiadas. Insinceras. Como ele teria conseguido saber de algo tão íntimo após menos de 24 horas com ela?
Mas poderia mostrar-lhe.
Sim, poderia mostrar-lhe. Naquele exato local.
Naquele exato momento.
Luc pressionou-lhe as mãos sobre o parapeito abaixo da janela, tirou a própria camisa e abriu o zíper da calça jeans. Só após estar meio despido, despiu o colete de Lauren.
E perdeu o fôlego.
- Você é tão linda...
Com dedos um tanto trêmulos, Luc delineou seus seios nus, as costas, a curva da cintura e o ventre. A sensação era familiar e nova, ao mesmo tempo. Confortável, embora muito perigosa.
Lauren arqueou as costas. Minúsculos pontos de luz dos globos giratórios espelhados dançaram sobre o rosto dela, acrescentando um caleidoscópio de cores à pele rosada e úmida. Luc não podia conter a vontade de prová-la, então o fez. E ela gritou e gemeu em resposta.
O restante das roupas deles pareceu evaporar. Luc carregou Lauren para o sofá de couro no canto da sala. Depois, beijou-a desde as têmporas até os dedos dos pés, enlouquecendo-a de prazer com suas mãos, seus dentes e a língua.
Então ela retornou o favor. No momento em que ele colocou o preservativo que pegara da carteira, nada mais existia na sala, exceto Lauren, Luc e seu desejo mútuo. Ele apertou-lhe as mãos quando a penetrou, e uma explosão do mais puro deleite o fez tremer antes de ambos começarem uma dança erótica e sensual.
- Lauren... - sussurrou ele.
- Como você se sente?
Luc mudou de posição, movimentando-se gentilmente, com cautela, tentando, com concentração desesperada, não ir muito rápido ou exigir demais. Por tudo o que sabia, aquela vez, ali e naquele instante, na sombra de onde tudo terminara um dia, seria sua última chance.
De mostrar a ela. De amá-la.
- Como se estivesse no paraíso, chère. Puro paraíso.
- Leve-me para lá, Luc, por favor.
E assim ele fez. E quando Lauren gritou seu nome em júbilo divino, Luc soube que jamais poderia perdê-la, com o acordo do fim de semana ou não.
Eles não tiveram pressa de se vestir, e depois que Luc explicou que as janelas tinham uma cobertura espelhada que lhes permitia ver a boate ao passo que ninguém podia vê-los, Lauren saiu do sofá e pôs-se a explorar o ambiente.
Mais luzes foram acesas no andar de baixo, enquanto garçons e garçonetes circulavam pelo local. A música mudou para um ritmo mais acelerado. Lauren não pôde evitar movimentar o corpo no ritmo da balada.
E fazer isso enquanto estava nua, com Luc a observá-la, estimulou-a para o sexo mais uma vez.
Contudo, em vez de voltar para Luc no sofá, pegou uma fotografia da mesa dele.
- É recente?
A moldura de latão continha uma foto de Luc ladeado por seus pais, suas irmãs e os cunhados.
- Do ano passado, no quinto aniversário da Casa Sensual.
- Cinco anos? Demorou um tempo para começar seu negócio. Você comprou o prédio antes que eu partisse.
- Tive de fazer as coisas do meu jeito, com dinheiro próprio. Não é fácil encontrar investidores, nem mesmo com o sobrenome Dupre.
Lauren recolocou o retrato no lugar, então voltou à janela que dava vista para a boate. Ambos haviam progredido muito em oito anos. Tinham percorrido o próprio caminho de acordo com seus termos. Quando fizeram amor no sofá, Lauren sentira uma força interna em Luc que não estivera lá antes; ou pelo menos ela não tivera habilidade para enxergar.
- Você deve estar muito orgulhoso.
Luc se juntou a Lauren na janela e, por trás, envolveu os braços em sua cintura fina e delicada.
- Estou, mas agora é hora de eu seguir em frente.

Fonte: Harlequin Books.