segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Alma minha gentil... Camões

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.


Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória dessa vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos meus olhos tão puro viste.


E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te


Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo, de cá, me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luiz Vaz de Camões