quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Soneto da amargura - Fernando Coelho

ao ver, sem lentes, tuas mãos vazias
vazias, sementes do meu sentir
profunda, sem mente, melancolia
melancolia, demente, vivi

teus olhos, de tudo, já tão distantes
distantes, com tudo, longe de mim
mostraram-me, contudo, num instante
bem próximo, sem tudo, o nosso fim

e agora, sem mente, já tão sozinho
neste tão triste, sem tudo, presente
já me perdi, demente, no caminho

que fora, com tudo, nosso futuro
sem força, sementes, pra ir em frente
tanto sem mim, sem lentes, amarguro