segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A amante do príncipe - Sandra Marton - Cap. VII

CAPÍTULO SETE
Chloe e Nicolas fizeram amor. E adormeceram. Tornaram a se amar, mas, dessa vez, quando Chloe se aninhou junto aos braços de Nick, ele beijou-lhe a ponta do nariz e disse que era hora de levantarem.
- Ah - ela lamentou, em meio a um bocejo.
- Está bem - ele disse. - Você não me deixa escolha.
E tomou-a nos braços novamente.
Chloe soltou uma exclamação, indignada.
- Ei, o que pensa que está fazendo?
Era bastante óbvio.
Soltou um gritinho quando Nick a carregou para o banheiro, entrou com ela no box e ligou o chuveiro.
- Nicolas! Está frio!
- Mas eficaz - ele justificou, apertando-a junto dele.
- Ainda vou pegar você por isso!
Ele soltou uma risada baixa e sexy.
- Assim espero.
Chloe riu e relaxou em seus braços. A água ficou morna e a sensação era deliciosa, mas não tanto quanto estar nos braços dele. Soltou um suspiro feliz e ergueu o rosto para o jato.
- Hummm - ela disse. - Que bom.
- Muito bom.
Ela sorriu. Nick não se referia ao chuveiro e, após um momento, ela também não.
***
Os dois finalmente terminaram o banho. Nicolas saiu primeiro, deu nela um último beijo, e disse que deixaria algo sobre a cama para que ela vestisse enquanto ele preparava o café.
A felicidade de Chloe diminuiu um pouco. Tola, disse a si mesma. Podia ter demorado a descobrir o sexo, mas não era nenhuma idiota. Sabia muito bem que outras mulheres certamente haviam passado a noite ali. E a simples ideia de usar a roupa abandonada por uma das amantes de Nick era mais um lembrete de que tudo aquilo era um sonho.
Errada.
O que ele tinha deixado para ela era um enorme e felpudo roupão. Aninhou-se junto ao tecido, fechando os olhos de prazer ao sentir nele o cheiro másculo de Nicolas. Correu os dedos pelos cabelos, agora rebeldes e cacheados sem um difusor e um gel para domá-los, e seguiu seu olfato até a cozinha, onde ele lhe entregou uma caneca fumegante.
- Obrigada - agradeceu, e tomou um longo e grato gole do café. Ergueu o olhar e percebeu que ele a observava com alguma intenção. - O que foi?
- Eu só estava pensando.
- Sobre o quê?
- Sobre seus planos para hoje.
- Ah. - Era uma maneira educada de lembrá-la que já era hora de partir. O protocolo do dia seguinte.
- Bem - falou, pousando a caneca no balcão de granito. - Tenho muito o que fazer.
- Como por exemplo?
- Ahn, tenho que fazer... Fazer compras. Mudei-me para esse apartamento na semana passada e...
_ Que tipo de compras?
Que tipo? Que tipo!
- Hum, mantimentos, café, essas coisas. - O olhar dele, cheio de intenções, continuava lá. Isso a deixava pouco à vontade. - Isso importa? - falou, seca, e rumou para a porta. - Na verdade, quanto antes eu começar...
A mão dele se fechou de leve sobre seu ombro e a fez se virar.
- O Zabar’s tem um café delicioso.
- Que bom. Ótimo. Vou me lembrar diss...
Nick se curvou e a beijou. Foi um beijo que a deixou sem fôlego e confusa demais para não ser direta.
- Nicolas, eu não tenho ideia do que está acontecendo. Primeiro você me diz que é hora de eu ir embora, depois...
- Eu não disse isso.
- Disse, sim. Não, você não disse. Não com essas palavras,, mas...
- Vou levá-la ao Zabar’s.
- Como?
- Eu disse que...- Ele passou seus braços em volta dela, pousando as mãos na cintura delgada..
- Vamos fazer compras, se é isso o que quer. Pensei em darmos uma caminhada pelo Central Park, fazer um piquenique, mas se quer fazer compras...
- Está me pedindo para passar o dia com você?
Ele estava. E isso o surpreendeu aparentemente tanto quanto a ela. Não era um sujeito do tipo que passava a manhã seguinte com a amante, muito menos o dia seguinte. Na verdade, ele era do tipo que não queria nem que a mulher ficasse a noite toda... E ainda assim, adormecer com Chloe nos braços lhe parecera a coisa mais natural do mundo. E acordar com ela lá, tinha sido, bem, tinha sido legal.
Talvez até melhor do que legal.
Tinha sido o paraíso.
Quanto a querer que ela passasse o dia com ele... Sua vida estava prestes a dar uma guinada de 180 graus. Por que não fazer algo diferente antes disso? O fato de nunca ter considerado passar o dia ao lado de uma mulher antes, não significava nada.
Não tinha nenhum significado, tinha?
Claro que não. E por que estava ele ali, quase morrendo para tentar analisar uma decisão tão simples?
- Sim. - ele disse. - Vai passar o dia comigo, agapi mou?
Chloe queria dizer “sim”. Mas como poderia? Quanto mais tempo ficasse ao lado dele, mais difícil seria esquecê-lo. Não que ela quisesse esquecer. Pois não era justamente por essa razão que ela tinha vindo com ele na noite passada? Para que pudesse ter lembranças suficientes para o resto da vida?
- Chloe?
Ela fechou os olhos. Abriu-os de novo. Fitou o rosto dele e sentiu o coração bater descompassado.
- É uma sugestão adorável, mas...
- Mas?
- Mas eu não posso. Não posso de jeito nenhum. Quero dizer, a noite passada foi...
- Maravilhosa - ele completou sorrindo.
- Sim. Foi mesmo.
- Assim como esta manhã.
Os lábios de Nicolas estavam em seu pescoço, naquele local onde ela era mais sensível. Tinha aprendido isso na noite anterior, nos braços dele.
- Foi, sim. Maravilhosa. Mas...
Nick a beijou. Carinhosamente, enchendo-a de pequenos beijos, que a deixaram querendo mais. Chloe suspirou e se recostou no amante.
- Mas? - incitou ele.
- Mas não posso ir a um piquenique usando o que vesti ontem - ela justificou e aí soube que estava perdida.