segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A amante do príncipe - Sandra marton - Cap. X

CAPÍTULO DEZ
Nicolas retornou a Karas e seu pai deixou o trono. Afirmando estar ocupado demais para se preocupar com celebrações públicas, Nick fez com que a transição se desse da maneira mais simples possível.  O pai viu o filho assumir a liderança, sem interferir. Nicolas certamente seria um excelente rei. Mas ele andava calado e introvertido.
Isso preocupava o pai dele.
Quando perguntado, Nicolas insistiu que estava simplesmente ocupado com as novas obrigações. Contudo, o velho monarca não se deixou convencer. Estaria o filho de luto pela perda da mulher que quase o fizera cair numa armadilha para desposá-lo? Aquela perda fora necessária, e Nicolas não era nenhum tolo. Parecia impossível que tivesse caído nos truques daquela mulher.
Assim, o antigo rei decidiu lançar mão da velha prática por meio da qual os privilegiados sempre obtinham alguma informação: os criados ouviam coisas, e o dinheiro frequentemente podia comprar o que eles escutavam.
Dias mais tarde, confrontou o filho:
- Há uma coisa que você pode gostar de saber a respeito de Chloe Sharif.
Nicolas enrijeceu. Todos no palácio sabiam que não deviam pronunciar aquele nome.
- Não há nada que eu queira saber sobre ela.
- Ela brigou com o pai, o sheik.
Nicolas abriu um sorriso amargo.
- Aposto que ele não ficou nada contente em saber que ela lançou o anzol e falhou em me fisgar.
- Ela se recusou a se casar com um homem que o pai tinha escolhido para ela. Disse que um casamento deveria ser por amor, não por dinheiro ou poder. Afirmou que jamais se casaria, mas que, ao menos, havia conhecido o amor de verdade. Então deixou a casa do pai, afirmando que jamais retornaria.
Nicolas segurou o olhar gélido por mais alguns instantes, e depois, ele desapareceu.
- Ela mentiu para mim - disse, em voz baixa. - Devia ter me contado quem era na verdade.
- Da mesma forma como você contou a ela quem você era na verdade?
Um músculo retesou no maxilar de Nicolas.
- Ela não é de sangue nobre. É de Calista. E o pai não é um homem que se possa admirar.
- E?
- E você e seu Conselho terão que lidar com isso porque, maldição, eu amo aquela mulher!
O velho rei sorriu.
- Uma nova direção, meu filho - falou suavemente. - Para todos nós.
***
As companheiras de casa de Chloe haviam se mudado. Uma para Chicago, a outra para Hollywood, e tinham sublocado o apartamento para Chloe.
Arcar sozinha com o aluguel não era fácil, porém ela estava mais feliz, morando só. Desse modo, podia se arrastar pela casa o quanto quisesse, sem que uma delas revirasse os olhos e dissesse: “Pelo amor de Deus, Chloe, supere isso!”
Não que ela sentisse a falta de Nicolas. Por que ela sentiria? Ele a acusara de mentir, de levá-lo para cama apenas para conquistá-lo. Ela já tinha se esquecido dele há muito tempo, continuava apenas com raiva. Com muita raiva. Por isso vivia acordada no meio da noite como estava agora, assistindo a uma droga de filme antigo na TV.
A campainha tocou e Chloe se pôs de pé, alerta. Uma visita àquela hora não podia ser coisa boa. Ladrões tocavam a campainha?
A campainha soou novamente, e agora alguém batia na porta. O coração dela disparou. Devia chamar a polícia? Enfiar uma cadeira debaixo da maçaneta?
Gritar?
- Chloe? Chloe, eu sei que você está aí. Abra essa porta!
O coração dela subiu à garganta.
- Nicolas?!
Ele tornou a bater.
- Abra ou vou chamar o New York Post e dizer que o rei de Karas está na porta de Chloe Sutton e ela não quer deixá-lo entrar.
- Você não faria isso!
- Quer ver?
Chloe hesitou. Então removeu a corrente e a tranca da porta, abrindo-a.
- Vá embora - sibilou, porém Nicolas passou por ela e bateu a porta.
Ela o encarou. Por que ele tinha vindo? Não tinha a menor vontade de vê-lo. Não era uma estupidez ter ímpetos de se jogar naqueles braços quando o odiava tanto?
- Chloe. - Ele soou ríspido. Em seguida, seu tom cedeu. - Chloe, meu amor, meu coração...
- Não sou nada disso, Nicolas, lembra-se? Sou uma mentirosa. A mulher que tentou fisgá-lo por causa do seu dinheiro.
Havia uma dúzia de respostas para aquilo, porém Nicolas só deu a que importava:
- Eu amo você - murmurou, abrindo os braços.
Chloe deu um soluço e se jogou sobre ele.
Nicolas a abraçou, beijou, sussurrou palavras em Grego, em Inglês, e ela só conseguia pensar: “Por favor, não permita que isto seja apenas um sonho outra vez!” E então, ela pensou: Onde está seu orgulho, Chloe? E o empurrou.
- O que está fazendo aqui? - A voz dela tremeu. - Está sem ter o que fazer no fim de semana?
- Agapi mou, eu amo você.
- Claro que ama. Por isso fez aquelas... Aquelas acusações horríveis, depois me deu as costas e... E... - Lágrimas inundaram-lhe os olhos. - Vá embora, Nicolas. Por favor. Fui tão idiota...
Ele a puxou para si.
- Eu fui o idiota. - Beijou-a na têmpora. - Diga que me ama.
- Como pôde imaginar que eu não o amava? Como pôde pensar o pior de mim? Aquela carta... Eu a enviei antes de conhecer você. Escrevi ao meu pai dizendo que finalmente permitiria que ele escolhesse um marido para mim porque era minha obrigação.
- Sua obrigação - Nicolas começou baixinho - é viver o resto da sua vida comigo. Quer ser minha esposa, agapi mou?
- Eu achei que poderia lidar com isso. Meu pai está ficando velho, fui criada para obedecer e... - Ela puxou o ar, trêmula. - Então eu conheci você. E soube que jamais poderia me casar sem ser por amor.
Ele sorriu.
- Isso é um “sim”?
- Nicolas, você é tão egocêntrico, tão arrogante!...
Ele a beijou, e Chloe pôs a mão contra o seu rosto.
- Claro que é um “sim” - admitiu, rindo, e ele a tomou nos braços e a carregou para o quarto.
***
Chloe voou de volta para Karas com ele.
O pai de Nicolas sorriu ao vê-los. Seus ministros franziram a testa, porém o novo monarca não se deixaria convencer a mudar de ideia e, em poucos dias, Chloe conquistou a todos, até mesmo o secretário que pusera um fim ao idílio deles em Aristo.
Uma semana mais tarde, os dois amantes saíram para um passeio pela praia iluminada pelo luar. Nicolas virou Chloe para ele, beijou-a e colocou um anel em seu dedo. A argola de platina ostentava um maravilhoso diamante rosa de quatro quilates, garimpado nas fabulosas minas de Aristo.
- Chloe, minha amada: Quer ser minha?
Os olhos dela cintilaram com lágrimas de felicidade.
- Para sempre - respondeu docemente, e mergulhou em seus braços.
FIM