segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A amante do príncipe - Sandra Marton - Cap. VI

CAPÍTULO SEIS
- Por que não me contou?
A voz de Nicolas soou baixa e dura, e seus olhares se encontraram. Chloe sentiu o sangue subir ao rosto e tentou virar a cabeça, porém ele rolou de lado e a puxou para si.
- Devia ter me falado - ele disse com doçura. - Eu teria feito qualquer coisa para não machucar você.
- Você não me machucou. O que aconteceu... o que fizemos... foi maravilhoso.
O sorriso de Nick era pura virilidade.
- Foi, sim. Você me concedeu uma grande honra, minha querida.
Os lábios de Chloe se curvaram contra os dele, enquanto ele a beijava.
- Fico feliz que pense assim.
Seus beijos se aprofundaram e a pulsação dela se acelerou. Nicolas a segurou pelas mãos, prendeu-as acima de sua cabeça, e a invadiu lentamente. Tão devagar que Chloe pensou que fosse morrer de prazer.
- Nicolas! - ela gemeu.
Depois disso, por muito tempo, nenhuma outra palavra foi necessária.
***
Chloe dormiu nos braços de Nicolas por toda a noite, despertando duas vezes apenas para mergulhar com ele em uma nova onda de paixão. Quando acordou na manhã seguinte, contudo, viu-se sozinha.
E agora? Qual era o protocolo da manhã seguinte?
Não fazia idéia.
Tudo em que conseguia pensar era em sair dali o mais breve possível. Se tivesse sorte, talvez não tivesse nem mesmo que encarar o estranho com quem havia passado a noite. Não que fosse puritana. Não que houvesse transformado em um fetiche a manutenção de sua virgindade. Na cultura de Calista já fora importante que uma jovem bem-nascida permanecesse casta até o casamento, porém ela sabia que isso mudara por lá, como no restante do mundo.
Mesmo assim, um lado dela sempre acreditara que sexo era mais do que sexo. Que era parte do amor. Como tudo isso podia ter caído por terra? Perdera a conta de quantos pretendentes, homens bonitos e charmosos, tinham tentado de tudo para conseguir levá-la para a cama. Rejeitar seus avanços fora pateticamente simples.
Não havia, nem por um momento, desejado qualquer um deles.
E então Nicolas surgira, e a verdade era que, assim como ele dissera, aquele calor, aquele desejo, estivera entre eles desde o princípio. Não fazia o menor sentido. Tampouco fazia sentido ficar ali, se auto-analisando, quando ele poderia retornar a qualquer momento.
Chloe jogou longe as cobertas. Suas roupas estavam todas espalhadas, e ela tentou não pensar em como estas tinham ido parar por ali enquanto as recolhia. Vestiu a calcinha com rapidez, ignorou as meias e espremeu os pés nos escarpins.
- Bom dia.
Chloe fez meia-volta, cruzando os braços sobre os seios instintivamente. Nicolas se recostou no batente e ela sentiu o pulso se acelerar. Ele estava, sem dúvida, absolutamente divino com os cabelos escuros úmidos do banho recente e o corpo alto, másculo e potente casualmente coberto por um moletom escuro preto e jeans desbotados e justos.
Era o suficiente para deixá-la com água na boca.
- Dormiu bem?
- Eu... Sim, obrigada, eu dormi.
- Fiquei com medo de acordar você.
- Não - ela desconversou, alegre. - Não acordou. Eu, ahn, nem ouvi você se levantar.
Nicolas se afastou da porta e caminhou em sua direção, os movimentos fluídos e felinos.
- O que eu quis dizer - começou, travesso - é que temi querer acordar você caso ficasse na cama por mais um minuto. - Seu olhar passeou por ela de maneira deliberadamente lenta. - É uma visão e tanto logo pela manhã, moça.
- Nicolas, eu não... Eu não acho que...
Ele apanhou-lhe as mãos e as fez pender de lado. O restante das roupas caiu dos dedos repentinamente inertes de Chloe.
- Você é linda - ele elogiou em voz baixa.
- Não...
- Não o quê? - Os olhares se encontraram. - Não quer que eu te diga a verdade?
- Não, eu quero dizer... - Ela umedeceu os lábios. - Não sei bem como fazer isso. Sei que parece bobagem, mas...
Os braços dele a envolveram, e a boca de Nick tomou a dela. A princípio, Chloe permaneceu rígida no abraço, porém logo suspirou e seus lábios relaxaram e colaram aos dele.
- O que eu lhe disse ontem à noite é verdade, agapi mou. Sua inocência é uma dádiva. Não se desculpe por ela.
Chloe piscou.
- Do que me chamou?
Um músculo repuxou na bochecha de Nicolas.
- É apenas um termo carinhoso.
- Mas era... Você fala Grego, Nicolas?
Ele hesitou, depois deu de ombros.
- Sim, falo.
Chloe quis contar que também falava o idioma, entretanto Nick poderia fazer perguntas, e ela não se sentia preparada para dar respostas. A última coisa que queria agora era discorrer sobre a própria vida. Sua vida real. Aquela que se apossaria dela, muito em breve.
- Ei. - Ele a segurou pelo rosto. - O que aconteceu com aquele sorriso?
Chloe se forçou a curvar os lábios.
- Nada. Eu só estava pensando. Preciso terminar de me vestir.
- Para quê?
- Bem, porque eu estou... Eu estou...
- Nua. - A voz de Nick baixou um tom. - Seminua. E maravilhosa.
As palavras eram puro erotismo. Assim como o modo como ele a fitava.
Chloe sentiu que sucumbia, porém não podia deixar aquilo acontecer. Já havia sido arrebatada na noite anterior. O jardim, a música, a lua... Isto era diferente. Era dia. Esperava-se que as pessoas pensassem melhor à luz do dia, e o que ela pensou foi que fazer amor outra vez seria um erro.
Mas quando Nicolas a beijou, ela o beijou de volta. Ele disse seu nome, pôs-se de joelhos, segurou-lhe os quadris com as mãos ásperas. Seu hálito era quente...
Chloe enterrou os dedos nos cabelos dele, tremendo ao perceber que ele a acariciava com a ponta da língua. Quando gritou, Nick se levantou, tomou-a nos braços e a levou de volta para a cama.