segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A amante do príncipe - Sandra Marton - Cap. IX

CAPÍTULO NOVE
O voo foi longo e Chloe passou a maior parte do tempo dormindo nos braços de Nicolas.
Aterrissaram numa pista particular. Montanhas de um verde profundo se erguiam de um lado, e, do outro, uma faixa de areia branca se estendia em direção ao mar de um azul brilhante. Chloe olhou ao redor e sentiu um arrepio.
_ Onde estamos? _ indagou.
_ Não é lindo? _ Nicolas sorriu. _ Estamos numa ilha chamada Aristo.
Ela percebeu o sangue se esvaindo do rosto. Embora décadas de discórdia separassem Aristo e Calista, fisicamente os reinos eram apartados apenas pelo Estreito de Poseidon. Era possível que alguém a reconhecesse. Se isso ocorresse, se o pai dela descobrisse que ela havia vindo até ali com um homem, ainda mais um homem rico...
_ Querida, o que foi?
_ Não podemos ficar aqui, Nicolas. Não podemos!
_ Por que não?
Ela o fitou, perguntando-se por onde começar. Como Nick reagiria ao saber quem ela era? Devia ter contado a ele antes, mas não tivera nenhuma razão para...
_ Chloe. _ Nicolas a segurou pelas mãos e a fitou nos olhos. _ Eu a trouxe aqui porque este é um dos meus lugares favoritos, e porque podemos ficar sozinhos. Ele hesitou.
_ Preciso lhe contar algumas coisas.
_ Eu também preciso contar algumas coisas.
_ O mais importante é que _ ele disse, e limpou a garganta _ acho que estou me apaixonando por você.
_ Ah, Nicolas! Nicolas...
Beijaram-se, e nada mais importou depois disso.
Nick a conduziu até uma linda casa sobre um penhasco, na Baía de Apollonia. Ficaram a sós, exceto por uma mulher que vinha todos os dias preparar suas refeições. A mulher a fitara com estranheza quando Nicolas as apresentara?
Chloe concluiu que era paranoia sua, pois, depois disso, a mulher mal prestou atenção a ela.
Seguiram-se dias longos e cheios de preguiça. Eles velejaram, caminharam na praia, fizeram amor. Falaram de coisas tão simples quanto o mar e tão complexas como as estrelas, mas, de alguma forma, as outras coisas, aquelas que disseram que precisavam contar um ao outro, permaneceram não ditas. O mais perto que chegaram de fazer isso foi quando Nicolas afirmou que fora vítima de exigências a vida toda.
_ Eu também _ revelou Chloe com suavidade, e pareceu tão infeliz que ele a tomou nos braços e varreu a tristeza em seu olhar fazendo amor com ela.
Naquela noite, quando Chloe dormia em seus braços, Nicolas observou a lua projetando imagens no teto e finalmente reconheceu a verdade.
Não iria se casar com uma mulher que agradasse ao Conselho ou a seu pai. Não iria desposar a filha bem-educada de um cidadão de Aristo ou Karas. Iria se casar com a única mulher que ele que ele havia amado: sua Chloe.
Karas precisava de uma nova liderança. Isso também requeria uma nova direção.  E casar por amor, e não por dever, era definitivamente um novo rumo.
Tudo o que ele precisava fazer era contar para Chloe a verdade. Ela poderia ficar um pouco surpresa, porém ele saberia lidar com isso. Ela o amava, estava certo disso. E o que poderia ser mais poderoso do que o amor?
Feliz e seguro com o que aconteceria, Nicolas adormeceu. Como ele poderia imaginar que Chloe permanecia acordada, e que ela também tomava decisões importantes quanto a seu destino?
Iria contar a Nicolas quem era: a filha de um sheik. Ele poderia lidar com isso. Já tinha, obviamente, passado um tempo em Aristo. Pelo menos, estava familiarizado com esta parte do mundo.
O passo seguinte seria mais difícil. Ela voltaria para casa, como prometera na carta, mas apenas para dizer ao pai que não se casaria com um homem da escolha dele.
Estava loucamente apaixonada por Nicolas. E ele a amava, havia até admitido isso. Nick a levara até ali para lhe dizer algo importante. Só podia ser que a queria como esposa.
Feliz e segura do que a esperava, Chloe adormeceu nos braços do amante.
***
Nicolas sabia que estava abusando de sua sorte. Seu primo, o príncipe Alexandros de Aristo, também tinha uma casa naquelas falésias. Ele e Chloe não haviam se deparado com Alex, nem com ninguém da família real de Aristo, mas, por quanto tempo aquela sorte iria durar? Já era hora de confessar tudo a Chloe e pedi-la em casamento. Ele faria isso naquela noite.
Passou o dia todo tenso. E se ela o rejeitasse? Ele não podia esperar mais.
No final da tarde, Nick a levou para um passeio na praia. Ela também tinha estado atipicamente calada durante todo o dia, assim como ele.
Era agora, pensou. Aquela era a hora de falar.
_ Agapi mou _ começou, devagar. _ Lembra-se de quando eu disse que possuía muitas responsabilidades?
Ela fez que sim com um gesto de cabeça.
_ E que havia coisas que precisávamos dizer um ao outro.
Nicolas abaixou a cabeça e a beijou gentilmente, depois respirou fundo para acalmar os nervos.
_ Já é hora de conversarmos a respeito. Mas, primeiro... Primeiro, minha querida, peço que tenha paciência. Não. Essa é a palavra errada... Preciso da sua compreensão. Veja bem, não tenho sido honesto contigo.
_ Ah, mas a dama será compreensiva, milorde _ falou uma voz masculina e cheia de ironia.
Chloe soltou uma exclamação, assustada. Instintivamente, Nicolas se pôs à sua frente. Então, seus olhos se estreitaram, surpresos.
_ Marius? _ Era o primeiro-ministro de seu pai, e sua voz assumiu um tom de comando. _ O que você está fazendo aqui?
_ Impedindo que faça papel de tolo, príncipe Nicolas.
_ Príncipe Nicolas? _ indagou Chloe.
_ Chloe, eu ia lhe explicar...
_ Por que não permite que a srta. Sharif dê as explicações, senhor?
Nicolas puxou Chloe pela cintura, seu braço tenso ao redor dela.
_ O sobrenome dela é Sutton. E eu não gosto do tom que está usando.
_ O sobrenome da moça é Sharif, e ela é a filha do sheik Sharif, de Calista.
_ Não. Isso é impossível.
_ É fato, senhor. Ela e o pai há muito planejam encontrar um marido rico para ela, para quitar suas dívidas de jogo do sheik e restaurar a fortuna da família.
Nicolas a encarou.
_ Isso é verdade? _ indagou com cuidado.
_ Meu pai é sheik em Calista, sim. Mas o resto...
_ Por que não me contou?
_ Por que você não me contou quem era de verdade?
_ Eu tinha uma boa razão para isso.
_ Pois bem, eu também.
_ Ela possuía uma excelente razão, milorde. Na verdade, a srta. Sutton mandou uma carta ao pai há apenas alguns dias, dizendo que iria se casar com um homem rico, o qual, com toda certeza, ele aprovaria.
Chloe ficou pálida.
_ Não!
Os olhos de Nicolas ficaram vazios.
_ Enviou tal carta?
_ Claro que sim, mas...
_ Então tinha esperanças de se casar comigo _ ele concluiu, a voz gélida.
_ Nicolas, não é o que parece.
_ É exatamente como parece _ ele retrucou, deu meia-volta e partiu, com o ministro às suas costas.