segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A amante do príncipe - Sandra Marton - Cap. II

CAPÍTULO DOIS
Chloe notou a repentina faísca de interesse nos olhos de Nick Karrier e desejou retirar o que disse, mas já era tarde demais.
Por que tinha dito uma bobagem daquelas? Não se desafiava um homem como ele, a não ser que se quisesse entrar em um campo de batalha, e tudo o que ela queria era se livrar daqueles bilhetes de rifa idiotas e ir para casa.
Os ricos achavam mesmo que jogar algumas cédulas sobre os problemas equivalia a fazer algo de verdade para resolvê-los?
Ela sabia a resposta. Trabalhava para se sustentar, agora, sabia o que era tentar dar conta de todas as despesas, mas havia crescido na riqueza. Seu pai era abastado antes de perder quase tudo no jogo. Ele era um sheik de Calista, embora ela não houvesse contado isso a mais ninguém. Ela contou, uma única vez, quando foi conhecer Paris. A lembrança ainda a fazia estremecer.
- Um sheik! - as outras moças exclamaram, antes de bombardeá-la com perguntas ridículas sobre camelos, desertos e tendas.
Então, sim. Ela sabia como os ricos funcionavam, o quão inúteis e autoindulgentes podiam ser, e isso significava que ela sabia tudo o que precisava saber sobre o infame Nick Karrier. Havia deixado Paris há apenas dois dias, mas já tinha ouvido falar dele, que era rico, deslumbrante e sexy.
O que mais havia para se saber?
O salão de baile estava lotado de tipos como Karrier nesta noite.Tudo bem, talvez não de uma beleza tão masculina, mas tão inúteis quanto ele.
Segurando os bilhetes da rifa, ela se aproximara dos que constavam em sua lista com toda a educação. Aqueles que se encontravam com as esposas ou amantes ao lado, tinham tentado se mostrar interessados apenas na rifa, embora dois deles tivessem lhe passado seus cartões de visita junto com o dinheiro. Os que estavam sozinhos não se preocuparam em ser sutis.
- Vou comprar meia dúzia - um deles, especialmente canalha e insuportável, insinuou. - Mas com um preço...
Chloe se enfureceu, mas simplesmente saiu de perto. Então, por que havia perdido a compostura com Nick Karrier?
Os olhos dele, de um cinza pálido, a olharam de cima a baixo, de seu rosto para o restante de seu corpo, até parar nos escarpins prateados que o estilista insistira para que ela usasse. Por mais que abominasse esse tipo de coisa, como aspirante a modelo não podia recusar a chance de trabalhar em um evento beneficente por uma boa causa, ao mesmo tempo em que conseguia ser vista em Nova York, algo bastante necessário. Chloe sentiu o rosto esquentar. Aquilo também não fazia sentido. Estava habituada a ter os homens olhando para ela, isto fazia parte de sua carreira agora. Além do mais, seu pai começara a exibi-la sutilmente no dia em que ela completara dezoito anos diante daqueles que considerava pretendentes adequados!
- É direito de um pai escolher o marido da filha - tinha dito quando ela rejeitara a ideia.
Somente de acordo com o rígido costume de Calista, ela supunha. Fora dessa forma que sua mãe, sua avó, e todas as mulheres da família Sharif haviam se casado.
Ninguém admitiria que aquela prática era um horror? O pior é que ela sabia que o pai queria casá-la com alguém de posses, para que ele pudesse recuperar parte de sua própria fortuna perdida.
Ela adiara os planos do pai por dois anos. Então, fugiu para Paris, onde seus sonhos de menina se depararam com a dura realidade.
Não conseguia arrumar um emprego. Falava seis idiomas, podia planejar um jantar para seis ou seiscentas pessoas, mas e daí? Por fim, acabara fazendo a única coisa para a qual parecia servir.
Ela tornou-se modelo, mas não estava feliz. Era uma ocupação frívola e, talvez porque ela a visse dessa forma, continuava batalhando por trabalhos. Além disso, ela sabia que havia magoado o pai, que estava cada vez mais velho.
Sua tia predileta havia lhe telefonado na semana anterior exatamente para lembrá-la disso.
Assim, chegou a uma decisão. Enfrentaria o dever que esperava por ela: um casamento apropriado com um homem que fosse da aprovação do pai.
Haveria uma imensa comemoração no reino vizinho de Aristo pelo aniversário de sua rainha. O pai dela fora convidado, algo importante levando-se em conta o difícil relacionamento entre Calista e Aristo e, por extensão, entre Calista e Karas.
Chloe escrevera ao pai para avisar que voltaria para casa a tempo para o evento, e que finalmente concordaria em se casar com o homem que fosse de sua aprovação. O que significava, ela sabia, alguém rico e provavelmente velho, feio e horrível.
- Você pretende vender esses bilhetes ou ficar com eles? - Chloe piscou. Nick Karrier a observava, parecendo divertir-se de tal forma que chegava a ser irritante.
Ela endireitou o corpo.
- Sinto muito - respondeu em um tom que deixava claro que ela não sentia muito, de forma alguma. - Quantos bilhetes você...
- Eu disse cinco. E você ainda ironizou, indagando se eu não estaria esbanjando meu dinheiro. Fico me perguntando de que maneira você poderia saber disso.
De que maneira mesmo? Ela não iria admitir que as outras moças tinham comentado sobre seu carro, sua cobertura, suas baladas.
- Eu quis dizer que vale a pena doar dinheiro por uma boa causa.
- Salvar os pelicanos é uma boa causa?
Ela não pôde evitar. Ela riu.
Nick sorriu.
- Sua risada é deliciosa, senhorita...?
Era ridículo que entre o sorriso e o elogio ela sentisse suas pernas ficarem bambas.
- Sutton - respondeu bruscamente, usando o nome que adotara desde que havia deixado Calista. - E quantos bilhetes vai querer?
- Quantos quer me vender?
- Todos eles, obviamente, mas eu não posso fazer isso se ficar perdendo tempo...
- Ah, a verdade enfim. Conversar comigo é perda de tempo.
Deus, ela continuava se afundando cada vez mais!
- Eu não quis dizer...
- Vou ficar com todos.
- Acho que não compreendeu, sr. Karrier. Eu tenho, no mínimo, cinquenta bilhetes aqui.
- Sem problemas - ele respondeu, sacando o talão de cheques.
- Vai comprar todos? A mil dólares cada?
Nick Karrier exibiu outro de seus sorrisos sensuais, preencheu um cheque e o estendeu. Tudo bem. Talvez ela o houvesse julgado mal.
- Mas há um preço - ele emendou docemente, e Chloe baixou a mão.
- Sim - replicou, fria. - Tenho certeza de que há. Infelizmente, você pode pegar o seu preço e...
- Ai, Chloe! - a presidente os abordou, sorrindo feito uma barracuda. - Minha querida, você ainda tem bilhetes sobrando!
- Errado - interveio Nick com voz agradável.
Tirou o bloco de tíquetes da mão de Chloe e entregou o cheque a mulher, que exclamou de satisfação.
- Que adorável! Você comprou todos eles!
- Chloe se ofereceu para jantar comigo se eu fizesse isso - ele falou, maroto. - Como eu poderia rejeitá-la, quando gastar dinheiro com uma boa causa é tão melhor do que esbanjá-lo? Não é mesmo, Chloe?
Ela abriu a boca, mas não emitiu palavra.
Ela caiu na armadilha.