segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Vazio - Lilian Farias

De um vazio incomensurável
Sobrou a dor
Imaginava eu...
O que de real existia
Era o medo
E de tão temeroso
Inviabilizei a abertura das portas e janelas
Os sábios tentaram me ajudar
Em vão!
Eu queria dormir
Eu queria acreditar que nada daquilo estava acontecendo
Eu não pedi para nascer
Inclusive
Não solicitei dentes
Eu só queria vestir meu jaleco cinza
E empoeirado todos os dias...
Também fazer a barba duas vezes por semana
Às 19 horas, sem delongas...
Dormir primorosamente às 11 horas
Acordar às 7 horas
E seguir ciclicamente os meus dias
Sem interrupções...
Mas aquela maldita chuva
Que me fez procurar abrigo em um bar
E tomar um álcool pra aquecer a vida
Aquele cheiro da blusa brilhante
Os vasos sanguíneos naqueles lábios escarlates carnudos
Lancei-me vários goles de Uísque.
Ouvi tudo que sussurrou naquela noite
Duvidei de tudo
Mas as palavras viajaram no meu espírito
Ruminaram meu âmago
Chuparam meu estômago
Quebraram minha natureza
A penumbra do vacou se instalou no ciclo
Diminuiu a segurança
Potencializou a melancolia
Enfadei-me de tudo
Acreditei na máfia da base sustentadora
O cristal quebrou
A verdade caiu
Minha saliva a deseja intimamente...
E eu burilei a verdade...
No espelho estava invisível
A poeira fez-me espirrar
Estou gripado
Tuberculoso
E
Vazio!
Em breve lapidado
Desnudo
Curtindo a excelência da catarse.

Lilian Farias