sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Saudades - Erotildes Vittoria

Saudade de quando eu era livre, e voava como os pássaros,
na minha imaginação feliz em todos os campos que corria
e me sentia solta.
Admirava a natureza como ninguém, mais sabia ver, sentir
e viver dentro daquele imenso espaço só meu.
Saudades dos pés descalços a correr pelo gramado
depois da chuva que limpava o chão com aquela água
que descia do céu com tanta força e depois mais amena,
me enlouquecia de felicidade quando molhava minha cabeça,
e descia pelo corpo suavemente, encharcando minhas tranças
e ao chegar no solo, era absorvida.
Aquilo me deixava encantada, e muito feliz.
Quando cessava a chuva, deitava na grama molhada
e esperava o arco iris que se misturava com um pouco de sol,
e imaginava que ele só aparecia para mim, e que somente
eu admirava a sua beleza e aquela sequência de cores.
Saudades das noites de estrelas no céu, onde eu me perdia
na contagem para saber se estavam todas lá e com o mesmo
brilho do dia anterior, sim , eu contava uma, a uma, e elas
piscavam para mim, era assim que marcavam presença.
Saudades das frutas colhidas maduras e saboreadas ali,
junto ao pé carregado, e sem nenhuma cerimônia catava
e levava algumas para  serem consumidas mais tarde.
Cresci, e parti para longe dali, onde meu coração ficou enterrado
naquele chão chamado liberdade, e onde estava minha vida.
Os sonhos sonhados, foram se deteriorando e ao longo da
vida, trocados por sonhos fabricados pelas imposições a mim
apresentadas, e aos poucos, fui me perdendo e distanciando
de mim toda a ilusão de felicidade que eu guardava no fundo
do meu coração, para que um dia eu pudesse vivenciá-la.
Me perdi no tempo, e o tempo se impôs para que eu fosse
mais ágil, e aos poucos, senti que estava perdendo o chão
que era firme, eu não sabia mais onde apoiar meus pés.
E veio a luta para sobreviver na selva de pedras, conheci
a dor, o amor o desamor, a coragem, perdi meu medo, mas
encontrei obstáculos que precisei transpor, me esqueci em
lugares distantes muitas vezes, me tornei amarga em outras,
derrramei muitas lágrimas, meu sorriso ficou mais escasso e
conheci as lutas, as guerras e suas consequências nessa
teimosia em querer viver, ser feliz, ter paz e ser amada,
como sempre amei.
Saudades, sinto hoje de você, que se afastou e não disse
o porque, saudades...
saudades de você..

Erotildes Vittoria