sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Encontro à meia-noite - Ana DePalo - Cap. VIII

CAPÍTULO OITO
Ryder notou a expressão turbulenta de Chloe e percebeu que era um homem com os dias contados. Ele precisava agir rápido.
Droga! Ele não esperava que a mãe de Chloe fosse contar sobre o encontro arranjado. Ele não ficou interessado quando ouviu a ideia de sua mãe, mas foi assim que seu plano para se aproximar de Chloe começou a se formar.
Obviamente, a mãe de Ryder preferiu fazer a Sra. Davenport acreditar que ela não havia comentado nada com seu filho do que confessar que ele não demonstrou nenhum interesse em sair com Chloe. Também é óbvio que a Sra. Davenport pensou que Ryder tivesse sido persuadido por sua mãe a convidar Chloe para sair. Qual seria a outra explicação para a presença dele na festa?
Ele deveria ter previsto isso, mas por outro lado, como iria adivinhar que a mãe de Chloe tiraria a conclusão errada? E mais, a julgar pela expressão de desdém de Maxine, que a conclusão seria ouvida por todos os presentes.
Pegando Chloe pelo braço, ele disse a todos:
- Com licença.
Ao se afastarem, ela permaneceu dura.
- Olhe, -murmurou -eu sei que está zangada comigo...
- Jura? -interrompeu sarcasticamente. -Como você descobriu?
- Mas neste momento, preciso que me diga onde podemos conversar em particular.
Ele começou a pensar que ela não responderia, mas finalmente disse:
- Lá em cima. No meu quarto.
Quando chegaram ao andar de cima, ele fechou a porta do quarto e olhou em volta. Os móveis eram de vime branco e a decoração roxa e rosa.
Dez anos atrás ele daria o braço direito só para poder olhar de relance o quarto de Fab Dav. Voltando-se para Chloe, elevou uma sobrancelha.
- Parece que as coisas não mudaram muito desde o colégio.
Ela olhou para ele friamente.
- Várias coisas continuam iguais, aparentemente. Minha mãe não redecorou o quarto e você continua tão irritante quanto antes.
Ele sorriu, mesmo sabendo que ela estava furiosa. Dado o seu humor naquele momento, ele evitou dizer que ela ficava adorável quando estava com raiva.
- Que bom que acha isso engraçado. -disse ela de forma amarga.
Ele se aproximou de Chloe.
- Outra coisa que permanece a mesma é que estou vivendo a fantasia de estar no seu quarto. -Ele a abraçou antes que pudesse protestar, e a beijou profundamente, exaustivamente e satisfatoriamente.
Quando finalmente a soltou, ela colocou suas mãos em seu peito e disse:
- É isso? É a sua resposta? Tentar resolver as coisas com sexo? Você intencionalmente não me falou da trama das nossas mães...
- E você não me contou que só queria me trazer aqui hoje para mostrar a Maxine e Gavin que estava acompanhada. Acho que estamos quites.
Ele aguardou, e ficou óbvio que ela não tinha uma resposta na ponta da língua.
Chloe não tinha uma resposta pronta, exceto a verdade. É claro que esteve preocupada em conseguir uma companhia para a festa, mas a situação mudou nas últimas duas semanas.
Aos poucos, o fato de levar um namorado qualquer à festa ou levar Ryder foi perdendo a importância. Ela o queria, e estava apaixonada por ele.
Ryder curvou-se e trilhou beijos calorosos e delicados em sua testa, na lateral do seu rosto e nos cantos de sua boca, deixando-a mais calma.
Após alguns minutos, seus olhos se fecharam sozinhos. Ele a estava seduzindo, aquele espertinho, e ela não tinha forças para fazer nada a respeito.
- Chloe.
- Humm?
- Eu não fui àquela festa de Ano Novo por causa do plano das nossas mães.
Ela piscou devagar.
- O quê? É claro que foi.
Ele mordiscou seus lábios mais um pouco antes de se afastar e balançar a cabeça.
- Eu admito que as nossas mães se encontraram recentemente e pensaram que seria uma boa ideia eu entrar em contato com você.
- Então, você admite.
- Mas eu disse à minha mãe que não queria. Eu fui à festa dos Elliott porque eu quis encontrar você, não para agradar a minha mãe.
- O quê? - perguntou ela ainda mais alerta.
Ele a olhou fixamente de maneira atenciosa.
- Eu também sabia que você nunca aceitaria encontro arranjado pelas nossas mães agindo como mediadoras. Primeiro que você não gosta que ninguém se intrometa, especialmente a sua mãe. Segundo que as suas memórias de mim são do tempo do colégio, quando eu a provocava deliberadamente tentando chamar a sua atenção.
Seu coração ficou mais aliviado com a confissão. Ele realmente a entendia. Por que ela não ficou surpresa?
- Mas a tentativa da minha mãe de nos unir me fez pensar. Eu sabia que você estava solteira, disponível e trabalhando na Charisma, então, consegui com Cullen um convite para a festa de Ano Novo da família dele.
- Você teve um trabalho danado. - disse ela, cuidadosamente.
Ele deu o sorriso torto que ela recentemente conheceu e tanto gostou.
- Eu conheci Cullen através de colegas de trabalho, por isso não foi difícil conseguir um convite para a festa. O difícil é nunca ter esquecido um amor adolescente.
Uma grande felicidade tomou conta dela.
- Eu nunca entendi o apelido Fab Dav. Eu nunca me senti fabulosa na escola.
- Lembre-me de deixá-la a par de algumas coisas algum dia destes. -Brincou e logo ficou sério novamente. -Eu me acostumei a não falar muito sobre a minha carreira, mas acredito que através da sua mãe, você soube o que eu andei fazendo nestes últimos anos.
Ela balançou a cabeça.
- Minha mãe não sabe nada de Internet. Ela é mais velha do que os pais dos meus amigos. Maxine e eu só nascemos quando ela já tinha trinta e poucos anos. Se você disser Google, ela vai pensar que é um barulho que os bebês fazem.
Ela agora se lembrou de sua mãe ter mencionado uma vez ou outra que a Sra. McPhee estava feliz por Ryder ter sido bem sucedido nos negócios, mas achou que era apenas uma mãe orgulhosa se gabando. O termo bem sucedido a fazia pensar em Ryder como um gerente com um bom contracheque, não um membro de um clube de multimilionários.
Ela observou Ryder sorrir de orelha a orelha.
- É bom saber que você ficou atraída pelo meu corpo e não pelo meu portfólio de ações.
-Na verdade, quando você apareceu na véspera do Ano Novo, eu achei que estava destinada a beijar outro sapo à meia-noite.
Ele deu uma meia-risada.
-Por isso ficou preocupada quando me viu de camisa verde.
-Você se lembra disso? -Provocou e depois falou mais seriamente. -A propósito, há duas semanas eu estava procurando um acompanhante para esta festa, mas eu o convidei por sua causa, não por causa da Maxine ou do Gavin.
Ela não deu a mínima para a reação de sua irmã ou de seu cunhado. Ela quis que Ryder viesse porque estava apaixonada por ele.
-Chloe, sei que só se passaram duas semanas…
-Sim.
- Mas sabe aquela queda por você que eu mencionei anteriormente?
-Sei.
- Ela só piorou desde o colégio.
Ela pressionou dois dedos em seus lábios.
- Eu sei. Eu sinto a mesma coisa. -Seu coração se encheu de felicidade ao perceber que se enganou aquela noite no quarto de hotel. Ryder estava curado de seu comportamento irritante, não da queda que sentia por Chloe.
Ele sorriu.
- Eu acho que é amor.
- É bom que seja -disse ela querendo parecer severa. -porque eu estou completamente apaixonada por você.
- Ah, Chloe…
E assim nada se falou durante um longo tempo até que Chloe interrompeu e disse:
- É melhor voltarmos para a festa.
Enquanto desciam as escadas, Ryder provocou:
- Acha que pode viver bem sabendo que sua mãe teve um papel marcante no seu encontro com o seu futuro marido?
Ela deu o braço a ele pensando nos pequenos McPhee no futuro.
- Lembre-me de agradecê-la.