sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Encontro à meia-noite - Ana DePalo - Cap. V

CAPÍTULO CINCO
Ryder levantou uma sobrancelha. Ele precisava jogar direito. Agora que a realidade havia se intrometido, ela parecia querer fugir daquele quarto de hotel. Mas ela precisava saber que nesta noite terminava uma longa história - pelo menos para ele.
-  Qual delas você acha que é?
Ela ficou tímida por um momento.
-  Não sei. Você foi bastante irritante esta noite...
Ele fingiu estar magoado.
-  E você ainda continua não deixando barato, não é? É a queda por você.
Ele continuou acariciando sua pele nua e confortando- a mesmo empenhado em manter a voz firme.
-  Eu tinha uma queda enorme por você no colégio.
-  Você tinha uma maneira engraçada de demonstrar.
-  Como? Não gostou da minha técnica de irritar para conquistar garotas? Eu deveria ter puxado seu rabicho?
-  Em primeiro lugar, eu não tinha rabicho. Em segundo lugar, desculpe não ter dado valor à sua “técnica”, mas já que não conquistou a garota...
Ela interrompeu a frase quando o viu inspecionar seu corpo nu.
Ele olhou novamente para ela.
-  Não conquistei a garota? Tem certeza? Parece- me que a tive da melhor maneira possível.
Ela corou.
-  A questão é, -  disse ele, calmamente -  para onde vamos daqui?
Ela ficou dura.
-  Precisamos ir a algum lugar, Ryder? Não pense que espero algo de você ou que tenha alguma obrigação comigo só porque nossas famílias meio que se conhecem.
Ele nunca imaginou que ficaria ofendido ao ser dispensado de uma transa sem compromisso após sexo tão glorioso. Julgando pela sinceridade de Chloe, ele não era o primeiro cara a ser despachado desta maneira. Parece que a habilidade de Fab Dav para arrasar os homens só aumentou desde o colégio.
Ela parecia estar protegida a seu lado, e ele supôs que não seria surpresa se ela realmente estivesse. Afinal, a maioria das lembranças que tinha dele eram do tempo da escola, quando ele a provocava sem dó e, em geral, se comportava como um idiota na sua frente. Durante uma festa memorável numa noite de sábado, ambos acabaram na piscina depois que ela tentou empurrá- lo e ele a agarrou perdendo o equilíbrio. Ela ficou transtornada e com raiva porque tentava impressionar um amigo dele por quem tinha uma paixão não tão secreta - um cara que Ryder queria ver longe.
Mas Ryder estava apenas no início de sua campanha para fazê- la vê- lo com outros olhos. A noite foi espetacular. Melhor do que ele havia sonhado - e ele sonhava com isso há muito tempo.
Quando Chloe voltou ao trabalho, ainda estava tentando entender o que acontecera na noite de Ano Novo.
Na sala da copiadora, pensou novamente: Eu dormi com Ryder. Ainda não podia acreditar. Estaria ela tão desesperada que foi para a cama com um antigo colega de escola?
A resposta aparentemente era “sim”.
E Ryder - o atual Ryder - não era nada como ela se lembrava. Ele tinha o poder de virá- la do avesso com o olhar, de deixá- la com as pernas trêmulas apenas com um toque, e de devorá- la com um beijo.
Era isso que a assustava. Mais do que tudo, foi o que a levou a procurar abrigo depois de ter flutuado nas nuvens após aquela noite de sexo selvagem e ardente em seu quarto de hotel. Claro que andou lamentando a falta de um homem, mas ela não esperava por Ryder. Não esperava alguém que a deixasse frágil e instável.
Dormir com Ryder foi a prova de que sua bússola estava quebrada no que dizia respeito a homens. Bem quebrada.
Ela esteve à procura de um homem, mas não podia levar Ryder à festa de seus pais. E se o relacionamento não desse certo? A notícia chegaria aos ouvidos da mãe dele. E de sua mãe. Haveria complicações. Sua família já conhecia Ryder e faria uma série de suposições - especialmente sobre suas intenções em relação a Chloe.
Se fosse honesta consigo mesma, admitiria que Ryder também a procurou por outros motivos. Hoje, a sofisticação e o materialismo andavam colados nele como uma segunda pele. Ele era obviamente bem sucedido. Bastaria olhar para o carro que dirigia para saber.
Ela, por outro lado, era apenas uma secretária que estava subindo na vida bem devagar desde a faculdade. Se o mundo corporativo fosse um transatlântico de luxo, ela seria a classe econômica e ele, a primeira classe. Ele não tinha motivo para se interessar por ela, a não ser pelo sexo casual ou talvez para satisfazer alguma curiosidade tardia sobre a garota que ele conheceu na escola.
Consequentemente, ela estava decidida a informá- lo no sábado à noite que não esperava que uma ótima noite de sexo se transformasse em algo a mais. Afinal, ele admitiu ter superado há muito tempo a queda que um dia teve por ela, e disse também que adotou uma atitude provocativa quando estavam na cama. Quando perguntou a ela aonde iriam dali, ela viu todos os sinais de um homem que só queria ser livre.
Deixá- lo pensar que ela era blasé e sofisticada era melhor do que saber que ela nunca havia feito sexo sem compromisso antes - isto é, até que ele aparecesse novamente. Tudo isso mostra o quanto Ryder a deixou desconcertada.
Suspirando, pegou suas fotocópias e voltou para sua mesa, esbarrando em uma das gêmeas Elliott no caminho.
-  Opa! Cuidado!
-  Desculpe, Summer. Eu não vi você.
-  Isso foi óbvio. - respondeu Summer. - Você parece estar em outro planeta.
-  Pode- se dizer que estou. - deu uma resposta evasiva - Veio ver a Scarlet?
As gêmeas Elliott, de 25 anos, trabalhavam na EPH. Summer era editora de cópias da revista The Buzz, e Scarlet era assistente do editor de moda da revista Charisma. Quando Chloe começou a trabalhar na EPH teve dificuldade em reconhecer as gêmeas, mas aos poucos aprendeu a distingui- las por seus estilos diferentes. Scarlet era a mais exibicionista e se vestia com cores berrantes, enquanto Summer era mais retrô e usava roupas estilo anos 1950 e pérolas.
-  Vou almoçar com a Scarlet. - disse Summer. - Quer vir conosco?
Chloe balançou a cabeça:
-  Desculpe, estou muito ocupada. Devo almoçar na minha mesa hoje.
-  Já começou a trabalheira com a tia Finny, hein?
-  Nem pergunte… - Chloe respondeu.
Normalmente ela gostava de socializar com as gêmeas, mas hoje o trabalho estava servindo como uma desculpa conveniente. Se almoçasse com Summer e Scarlet, ficaria tentada a falar sobre Ryder, e a última coisa que queria era expor a reviravolta que ocorreu em sua vida social nos últimos dias. Sem dúvida, Summer seria solidária, mas em contraste com seu próprio estado atual, tudo na vida de Summer era limpo e arrumado. Summer tinha um relacionamento sério com um publicitário, e Chloe não ficaria surpresa se os dois ficassem noivos em breve.
-  Tudo bem, você é que sabe. - disse Summer. - Mas você tem todos os sinais de quem veio trabalhar numa segunda- feira de manhã em estado de choque pelos eventos do fim de semana. Prometo que serei uma boa ouvinte, se precisar.
-  Obrigada.
Ao se separarem, Chloe suspirou interiormente. Summer não era idiota, assim como nenhum dos outros membros da família Elliott. Ela imaginava quantos deles deveriam tê- la visto sair da festa acompanhada de Ryder e tirado suas próprias conclusões.
Chloe aproximou- se de sua mesa e ouviu o telefone tocar. Ela atendeu dizendo automaticamente:
-  Revista Charisma. Chloe Davenport falando.
-  Olá, Chloe.