sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Encontro à meia-noite - Ana DePalo - Cap. III

CAPÍTULO TRÊS
- Oito.
Beijá-lo? Chloe olhou Ryder fixamente enquanto a inexorável contagem regressiva continuava.
- Sete.
Ela estava ciente das pessoas presentes na sala. Casais se juntavam antecipando o beijo na hora marcada.
- Seis.
Socorro.
- Cinco.
Ryder pareceu estar se divertindo com tudo aquilo.
- Quatro.
Ela olhou os lábios dele. Tinha mesmo uma boca bonita. Era curva e convidativa e parecia suave o suficiente para ser excitante. Suas palpitações diminuíram. Hoje em dia uma boca como aquela estava ligada a um corpo igualmente delicioso.
- Três.
Ele inclinou-se em sua direção e sua atenção mudou da boca para seus olhos verdes, onde percebeu que ele a olhava intensamente.
- Vamos lá, Chloe. - brincou. - Eu desafio você.
 - Dois.
Bem, ela pensou que poderia beijar alguém à meia-noite, certo? Pelo menos assim poderia confirmar que ele não era o príncipe que ela esperava.
- Por que não? - disse ela, procurando uma indiferença que não sentiu na intensidade de Ryder. Ela se esforçou para manter o fôlego.
- Um.
Ela subiu o rosto enquanto Ryder se inclinava mais, fechando bastante o espaço entre eles. De olhos fechados, seu coração palpitava.
- Feliz Ano Novo!
Os lábios de Ryder tocaram os de Chloe. Ela sentiu uma breve pressão, uma sensação de calor e maciez combinados com eletricidade, e começou a se afastar.
Seu recuo foi interrompido pelas mãos de Ryder segurando seus braços. Seus lábios separaram os dela e ele a beijou mais intensamente.
Ao redor deles, o som das cornetas. Eram as pessoas na mansão da família Elliott misturadas à cacofonia vinda da televisão. Ouviu-se a melodia de “Auld Lang Syne” e as pessoas começaram a cantar sobre velhos e esquecidos conhecidos.
Para Chloe, porém, o mundo à sua volta desapareceu e ela se viu inundada por ondas de sensações interessantes e emocionantes evocadas pelo abraço íntimo de Ryder. Ela suspirou enquanto afundou ainda mais no beijo, que foi feroz e caloroso, e em seguida, gentil.
O beijo começou devagar até que Ryder pareceu querer devorá-la. Alguém gemeu e Chloe percebeu que havia sido ela mesma.
Alguém tossiu por ali, e Chloe reconheceu a voz de Cullen Elliott invadindo o nevoeiro que a cercava.
- E eu achando que seria o mais requisitado da noite -disse Cullen com voz de entusiasmo.
Com um arquejo, Chloe afastou-se de Ryder. Com dois dedos tocando seus lábios, olhou em volta e percebeu que seu beijo apaixonado havia atraído a atenção de vários convidados.
Cullen saiu de perto segurando sua bebida, sorrindo e balançando a cabeça. Chloe olhou para Ryder e viu perplexidade em seu rosto. Não havia como ela esquecer este velho conhecido.
Ela não sabia o que dizer. Ela estava quente e excitada. Em algum momento do beijo, descobriu que confrontava um homem que mal conhecia. Ele era um estranho poderoso e sexy, com habilidade de virar sua vida de cabeça para baixo.
Como que drogada, observou seus lábios se movendo -os mesmos lábios que segundos atrás a provaram e a saborearam.
- Eu levo você de volta. -disse ele. -Onde está hospedada?
Ela disse o nome de uma pousada na cidade mais próxima.
Seus lábios se curvaram.
- Que coincidência boa. Eu estou no Barston Cove, na mesma rua.
Em outra circunstância, Chloe teria levantado as sobrancelhas. O Barston Cove era o hotel mais caro e privativo da cidade. Ao invés disso, ela apenas concordou e disse:
- Humm.
Ele a pegou pelo cotovelo e a guiou através da multidão. Chloe saiu educadamente murmurando “obrigada” e “boa noite” aos anfitriões e aos convidados que encontraram no caminho até a porta. Ao lado dela, a voz sexy de Ryder soou com uma conversa incoerente.
Então, antes que ela percebesse, estavam em um Jaguar preto acelerando ao longo da estrada escura em direção à cidade. Chloe se perguntou como Ryder podia ter um carro que custasse mais do que ela ganhava em um ano.
Isto foi antes de notar o caríssimo relógio que ele usava, mas logo se distraiu com a visão da mão dele ao volante.
Era uma mão capaz, grande e masculina, com um pulso forte. Ela pensou naquela mão tocando-a e acariciando-a, e outra forte onda de conscientização a invadiu.
Em questão de minutos, Ryder encostou o carro numa vaga entre seu hotel e a pousada de Chloe. Ele saiu do carro, deu a volta e ajudou-a a sair segurando levemente seus dedos.
- Saideira? - murmurou ele.
- Tudo bem. - respondeu.
O calor sexual entre eles era tanto que ela sentiu estar envolta em um cobertor de luxo contra o vento frio da noite.
E então, como parecia inevitável uma vez que deixaram a festa juntos, estavam no quarto de hotel dele. O abajur lançava uma luz fraca por todo o quarto, e uma garrafa de champanhe gelada repousava no balde de gelo -uma das pequenas cortesias de um hotel de luxo, ela supôs.
No momento em que as mãos de Ryder pousaram sobre seus ombros, todos os pensamentos sobre brindar o Ano Novo sumiram de sua cabeça.
Ryder abaixou a cabeça, procurando seu olhar.
- Chloe?
-Sim.
A resposta saiu como um suspiro e Chloe sabia que estava dizendo mais do que apenas “sim” à pergunta dele.
E isto, ela imaginou com os lábios de Ryder se fechando sobre os seus, era como um velho conhecido no ano que passou poderia se tornar um estranho sexy no novo ano.