segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Diamantes e desejo - Sarah Morgan - Capítulo VII

CAPÍTULO SETE
Os dias que se seguiram foram um nevoeiro de pura felicidade e sensualidade. Eles acordavam tarde, tomavam café da manhã no terraço e exploravam as praias e as pequenas cidades do Mediterrâneo em volta da exclusiva península de Cap Ferrat.
Mas o lugar preferido de Lauren era o trecho de praia privativa que se encontrava próximo ao palacete.
- Não acredito que você tem tudo isso só para você. - Ela parou e pegou uma concha, enrugando a testa quando escutou um barulho vindo de seu bolso. - Você vai atender seu telefone?
- Não. - Ele a pegou pela cintura e puxou para perto dele. - Eu estou com você.
Era uma sensação inebriante, ser desejada por um homem como ele.
- Você é tão sortudo, por ser o chefe. Ninguém pode te demitir. O que você faz, afinal?
- Eu projeto programas de computador.
Lauren fez uma cara de deboche.
- Você deve ser muito inteligente. Os computadores me odeiam.
Sorrindo, ele enlaçou suas mãos nas mãos dela.
- Lauren, computadores não têm sentimentos.
- É aí que você se engana. Eles são vingativos. Eles esperam até que você esteja fazendo uma parte muito importante do seu trabalho e então o engolem e você nunca mais o vê novamente.
- Sempre é possível encontrar arquivos perdidos.
- Não se a pessoa for eu - Lauren disse melancólica. - Eu sou absolutamente ignorante quando o assunto é esse.
Ele passou suas mãos em seu cabelo e inclinou sua boca em direção à dela em um beijo provocante.
- Mas você lembrou o nome de cada pessoa que nós conhecemos nos dias que se passaram e encantou cada uma delas. Minha equipe acha que você anda sob as águas e meu diretor financeiro quis casar com você depois de trinta segundos de conversa pelo telefone. Você é uma pessoa muito especial.
- Sou normal - Lauren murmurou e deu um lento sorriso.
- Não do ângulo que eu estou vendo. Este biquíni fica ótimo em você. Você fica bem com este tom de rosa.
- As roupas são fantásticas. - Ainda consciente, Lauren olhou para si mesma. - Você não devia ter comprado tantas coisas para mim.
- Você não podia passar a semana vestindo sua fantasia de cartomante.
- Não era nem minha! A verdadeira cartomante é sem dúvida muito menor do que eu. E eu tenho certeza de que ela vê melhor o futuro do que eu porque eu certamente não previ nada disso. - Nem mesmo nos sonhos mais loucos. Lauren deslizou os braços em volta de seu pescoço e franziu a testa. - Você está bem? Ficou todo tenso.
- Estou bem, ele disse suavemente. - É hora do almoço. Vamos comer alguma coisa.
Ela pensou se deveria lembrar a ele que ela tinha que pegar um avião no aeroporto de Nice em menos de 24 horas.
Ele não havia dito nada sobre seus planos, havia? Mas ela sabia que ele não poderia continuar ignorando seu telefone e se escondendo neste paraíso do Mediterrâneo.
Ele tinha uma vida para levar e ela também.
E suas vidas não se encontravam.
Enquanto eles voltavam caminhando na beira do mar, Lauren olhou por cima dos ombros, vendo o mar apagar suas pegadas. Uma nuvem entrou na frente de sua felicidade e ela estremeceu. Era como se eles nunca houvessem estado ali – nunca houvessem se beijado. Uma fantasia momentânea que já fazia parte de sua memória.
A realidade se chocou com sua mente, mandando seus sonhos para longe.
Havia coisas que eram boas demais para serem verdade, e isso era bom demais para ser verdade, não era? Coisas como esta não aconteciam com pessoas como ela.
- Você conhece a história de Icarus?
Ele olhou para ela enquanto eles caminhavam em direção ao palacete.
- Claro. Eu sou Grego. Ele voou perto demais do sol, suas asas de cera derreteram asas e ele caiu na terra.
Quanto mais alto você voa, maior é a sua queda.
Colocando seu rosto em suas mãos, ele abaixou a cabeça.
- Isso não vai acontecer com você, Lauren. Eu não vou deixar você cair.
- Eu já aproveitei as minhas férias. Tenho um voo marcado para amanhã.
- Eu não vou deixar você ir - ele sussurrou perto de sua boca. - Você vai ficar aqui comigo.
Lauren sentiu seu coração retorcer. Ela não poderia ficar, poderia? Ela tinha um emprego. Mas ao mesmo tempo, ela realmente iria desistir de tudo isso?
***
Eles estavam almoçando no terraço quando ouviram um barulho repentino vindo de dentro do palacete e uma linda adolescente de cabelos pretos apareceu.
- Andros?
Vendo a tensão imediata em seu semblante, Lauren primeiramente imaginou que deveria ser uma antiga namorada. Se sentindo levemente enjoada, ela colocou seu drinque na mesa e se levantou.
- Sente-se - Alexandros disse calmamente, sua expressão escondida pelos óculos escuros. - Lauren, esta é minha irmã, Eleni.
- Sua irmã? - Chocada ao perceber que ela nem sequer sabia que ele tinha uma irmã, Lauren ficou parada. - Oh. - Havia vária razões para ele não ter mencionado a irmã, ela raciocinou.
Eleni pulou em direção a Alexandros e apontou um dedo para seu peito.
- Então seu plano saiu pela culatra. Você foi até a festa para seduzir a cartomante e ela nem sequer estava lá.
A boca de Lauren ficou seca.
- S-seduzir a cartomante?
- Minha amiga é uma cartomante. Eu a havia convidado para ir a Nova York comigo. - Ignorando o impacto de suas palavras, Eleni estava sorrindo para seu irmão. - Mas Andros tinha certeza de que ela só estava interessada no meu dinheiro e decidiu fazer uma oferta mais sedutora para provar seu ponto de vista. Infelizmente ele nunca teve a chance porque ela não foi trabalhar naquela noite. Ela já estava esperando por mim no aeroporto. Então meu irmão superprotetor teve uma noite chata e desperdiçada.
Alexandros tirou os óculos escuros com uma mão não muito firme.
- Minha noite não foi chata.
A boca de Lauren estava seca e houve um súbito estrondo em seus olhos. Se sentindo fora de si, ela se levantou, e seus movimentos chacoalharam as xícaras na mesa.
Apesar do dia caloroso, ela ficou subitamente gelada e a dor dentro dela era tão aguda que quase oscilou.
- Com licença. - Sua voz estava tensa. - Vou chamar um táxi. - E isso iria acabar com todo o dinheiro que ela havia ganhado trabalhando horas extras no baile.
Bem feito, ela disse a si mesma, por ter permitido que seus sonhos se misturassem com a realidade.
- Eu não quis chatear você. - Sentindo-se culpada, Eleni olhou para ela, mas Lauren já havia se afastado metade do caminho.
Ela ouviu Alexandros explodir em uma fúria grega e ela engoliu o nó em sua garganta enquanto pegava seu celular e discava o número da companhia de táxi.
- Lauren... - Alexandros estava atrás dela com a voz estranhamente insegura. - Não é o que parece.
- Está dizendo que não me convidou para passar a noite com você porque queria provar que eu era gananciosa? - Ela tremia tanto que o telefone escorregou de suas mãos e se desmontou ao cair no chão.
- Foi por isso que eu te convidei para passar a noite comigo. Inicialmente.
Sua resposta verdadeira a abalou e Lauren montou de novo seu telefone, pensando como o aparelho poderia ainda estar funcionando depois de uma queda contra uma superfície tão dura, enquanto o seu coração, que nem havia caído, estava espatifado em mil pedaços.
- Me diga uma coisa. Quando exatamente você descobriu que eu não era a cartomante?
- Na primeira manhã.
- E você não disse nada?
- Não era relevante. Não foi por isso que eu lhe trouxe aqui.
Lauren não ia se deixar enganar. Ela não tinha confiança em si perto deste homem.  Ela havia se permitido acreditar e sonhar. Ela havia se permitido sentir. Como isso era possível depois de um período tão curto de tempo?
- Às vezes, quando uma coisa parece boa demais para ser verdade, é porque realmente é. Não se pode comprar um futuro. Não se pode comprar um relacionamento. - Desesperadamente magoada, morrendo por dentro, Lauren tirou o colar de diamantes e deu nas mãos dele. - Não foram sonhos, diamantes e desejos, Andros. Foi desprezível.

Leia também:
Capítulo I
Capítulo II
Capítulo III
Capítulo IV
Capítulo V
Capítulo VI
Capítulo VIII

Cortesia Harlequin Books
 ***

CAPÍTULO SEIS
Lauren olhou em seus olhos, seu coração batia forte. A hora era essa. Com este homem, Ela deveria estar pensando por que ele? Ao invés disso, ela pressionou seus lábios nos músculos macios de seus ombros bronzeados e pensou sim, ele.
Ela o desejava como nunca havia desejado nenhum homem. Cada beijo lento e sensual, cada toque ágil, a faziam arder ainda mais.
Ondas de calor passavam por seu corpo e ela balançava seus quadris contra os dele, sentindo sua poderosa ereção se esfregar em sua coxa, pensando rapidamente se devia ou não mencionar que ela nunca havia vivido esse grau de intimidade com ninguém antes.
Provavelmente não, Lauren pensou zonza, enquanto ele retirava o cabelo de seu rosto e a beijava com mais habilidade e conhecimento que um homem poderia ter acumulado em uma vida inteira.
Seus olhos se fecharam e ela gemeu em sua boca. Se ela soubesse que era tão bom, teria feito antes, mas nunca havia se permitido chegar tão perto de alguém antes. Ela sempre se protegeu. Se sentindo desnorteada, Lauren tentou descobrir o que estava sendo diferente desta vez, mas seus pensamentos estavam girando e bem na hora em que ela tentou abrir a boca para dizer para ele não parar, ele entrou nela, pressionando de forma lenta e macia enquanto penetrava profundamente. Ele estava duro e quente e ela podia sentir sua pressão deliciosa por seu corpo inteiro.
Demais, ela pensou loucamente e então ele abaixou sua cabeça e lhe beijou novamente. A sedução provocante de sua boca derreteu sua tensão repentina e elevou seus níveis de excitação. Tomada pela sensação, necessitando dele, Lauren envolveu sua pernas em volta dele, estimulando-o.
Mas ao invés de responder ao seu encorajamento febril, ele levantou a cabeça e olhou para ela, com perguntas ebulindo nas profundezas obscuras de seus olhos.
E ela não queria responder a essas perguntas. Não ali. Não naquela hora.
- Andros - ela sussurrou, consciente de sua dureza aveludada dentro dela, e a intimidade daquele olhar. - Eu quero isso, eu quero você.
Ela se abriu para ele e ele gemeu lentamente e depois arrebitou sua bunda e pressionou profundamente, seus movimentos eram infinitamente gentis enquanto seus corpos se entrelaçavam, mostrando para ela um nível de intimidade inteiramente novo. Ele era todo sedoso e com um calor viril, o poder de sua invasão lhe tirava o fôlego. O prazer a consumiu, lhe tirando o controle, criando sensações que ela nunca havia imaginado existir.
Alexandros trançou seus dedos nos dela e a beijou, o carinho habilidoso de sua língua intensificou a excitação enquanto ele encontrava um ritmo perfeito, cada impulso poderoso a acometia de excitação. O quarto cintilava com o calor, a cama banhada em um brilho de luz que vinha da piscina iluminada do terraço além das portas abertas. 
- Você é linda.
Sua voz estava rouca, seus olhos tinham uma cor preta ameaçadora, e Lauren curvada em cima dele, deixando-o profundamente quieto, sem sentir nada além do ardente e pulsante prazer enquanto ele a penetrava. Os músculos de seus ombros se ondularam por baixo de seus dedos e o calor tomou conta de seu corpo como uma droga. Era a experiência mais sensual, erótica e devastadora de sua vida, cada mergulho a levava para mais profundamente para o paraíso, até que com um impulso final os levou feito um rojão para o céu.
Ondas após ondas do mais intenso prazer explodiram e Lauren encravou seus dedos nos músculos macios de seus ombros, seu corpo contraindo contra sua poderosa força enquanto ambos estavam lançados em um vórtice de êxtase sexual que ela sabia que mudaria sua vida para sempre.
Enquanto eles surfavam nas ondas de extremo prazer, ele tomou sua boca, tomou seu corpo – ele tomou tudo que ela tinha a oferecer.
Incluindo seu coração.
***
Foi o telefone que o acordou.
Se arrastando de um sono induzido pelo sexo, Alexandros esfregou seus dedos em seu rosto e checou o número em seu telefone.
Era sua irmã.
Praguejando brandamente em grego, ele se afundou novamente nos travesseiros. Não agora. Ele não estava preparado para ter o que só poderia ser descrito como uma conversa delicada. Sua irmã estava sem dúvidas esperando no aeroporto de Nova York por sua “nova melhor amiga” que havia, infelizmente, tido vontade de aceitar uma proposta mais vantajosa vinda dele.
Relutante em expô-la como uma oportunista gananciosa, olhou para a menina adormecida em sua cama, percebendo que ele havia complicado mil vezes mais a situação.
- Eleni...
 Alexandros sacudiu a cabeça, tentando se concentrar com a névoa do sono.
- Eu me desculpo - ele disse rudemente, mantendo a voz baixa para não acordar a mulher ao seu lado. - Você está certa, não foi a coisa certa a se fazer.
- Não, não foi. Estou feliz que o fez!
Sem encontrar sentido naquele comentário, Alexandros franziu a testa.
- Você está feliz? Não está chateada?
- Por que eu estaria chateada? Eu estava certa. Você estava errado. - Sua irmã soava impossivelmente convencida. _ É a primeira vez na minha vida que eu lhe escuto dizer que estava errado então eu vou aproveitar ao máximo.
- Eleni…
- Deve ter estragado totalmente a sua noite quando você percebeu que a minha amiga cartomante nem estava na sua festa estúpida. Ela achou que não ia dar tempo e então escapou do trabalho e, enquanto você estava aterrissando seu helicóptero na festa em Monte Carlo, ela já estava no aeroporto!
Alexandros congelou.
- Ela não pode ter ido ao aeroporto. - À meia-noite, Madame Rostropov estava com ele.  
- Bem, ela foi. Eu fiquei tão feliz quando ela chegou a Nova York na hora. Andros? Você está aí? O que há de errado com você?
Alexandros lambeu seus lábios secos.
- Ela chegou na hora? Ela não perdeu o voo?
- Não. Ela está aqui agora. E eu sei que você vai me dizer que ela só está interessada no dinheiro, mas isso não é verdade. Você quer falar com ela?
Alexandros fechou os olhos.
- Não. Você está certa. Já era hora de você aprender a fazer seus próprios julgamentos das pessoas, Eleni.
Ele já tinha problemas suficientes.
Se a cartomante gananciosa estava em Nova York com sua irmã, então com quem ele havia passado a noite?
Quem estava deitada em sua cama?
***
CAPÍTULO CINCO
Lauren gemeu com o ataque habilidoso de sua boca, ciente dos sustos das pessoas que observavam, mas envolvida demais no momento para se importar. Ela só se importava com o fato de Andros beijá-la e seu corpo todo se derreter com um calor intolerável provocado pelo toque seguro e habilidoso. Seu corpo estava agarrado ao dela, as mãos firmes em sua cabeça enquanto ele a segurava imóvel com um beijo carregado de promessas. 
Por uma névoa de desejo ela ouviu o barulho de um relógio bem distante e ele levantou sua cabeça lentamente.
- Meia-noite. - O jeito que ele falou fez parecer com que a hora tivesse algum significado e Lauren se perguntou se estava sem saber de alguma coisa.
- O que acontece meia-noite?
Houve um longo silêncio e ele estava desconfortavelmente parado.
- Nós partimos.
As mulheres que observavam Alesandros suspiraram enquanto ele entrelaçava seus dedos nos dela e a levava para fora da tenda.
- Aonde nós vamos? Eu ainda estou usando os diamantes... - Lauren tropeçou ao tentar acompanhar seus passos longos. - Eu não quero ser presa por furto.
- O colar é seu.
- Não pode ser meu. Eu não paguei por ele.
Seus cabelos caíram em seus olhos e ela os tirou com a mão, rindo enquanto eles corriam pelo gramado, esquivando-se de celebridades que pareciam estar aproveitando tudo que o baile oferecia.
- Eu sou um cliente muito conceituado.
Espetada por uma dúvida repentina, Lauren parou de correr.
- Eu não sei se queria saber disso. O que eu estou fazendo com você? Eu serei demitida por isso. Eu devo estar totalmente louca.
Andros olhou para ela com um olhar sexy e ardente.
- Ainda não, mas brevemente estará, meu amor. Quando estivermos na minha casa em privacidade, vou lhe deixar completamente louca. É uma promessa.
Lauren sabia que estava em apuros. Sua boca secou e seus nervos explodiram, criando uma sensação ainda mais espetacular do que a dos fogos de artifício que explodiam perto deles.
- Nós estamos indo para a sua casa?
Aqui, na relativa segurança do hotel, cercada pelos convidados, ela se sentia segura. Tudo havia sido despreocupado e divertido. Mas o pensamento de ir sozinha com ele até sua casa criou uma sensação completamente diferente em seu coração. Nada seguro, ela pensou para si. E nem um pouco despreocupado e divertido. Perigosamente sério.
Alexandros Kozanitas não era tipo que investia em uma paquera para terminar a noite com castos beijos de boa noite. Ela era totalmente homem – forte e poderoso, certo de suas vontades e completamente impiedoso em relação à conquista de seus objetivos. O que ele queria, ele tinha.
- Eu espero que sua casa não seja na Grécia.
Ele sorriu.
- Eu tenho um palacete na costa sul de Cap Ferrat. É mais perto do que a minha casa na Grécia.
Ele tinha mais do que uma casa. É claro que sim. Lauren começou a rir histericamente, pensando no quarto que ela havia alugado na parte mais perigosa de Londres.
- A qualquer instante eu vou acordar e voltar para a minha vida sem graça.
- Para acordar você primeiro precisa dormir e uma coisa que eu te prometo é que nós não vamos dormir.
Tudo nele era evidentemente sexual... desde seu olhar ardente até as curvas perigosas de sua linda boca, e Lauren sabia que estava perdida.
- Talvez nós devêssemos ficar aqui.
- Covarde.
- Sim. - Lauren ofegou enquanto passava suas mãos no pescoço. A respiração era quente contra sua pele e ela fechou os olhos, tremendo. - Se eu não tivesse medo, seria estúpida.
E talvez ela fosse estúpida, parada ali usando os diamantes dados por este homem quando a situação só poderia terminar de uma forma. Tensa até o último fio de cabelo, ela pulou enquanto outra queima de fogos explodiu e ele deu uma risada baixa e pegou sua mão novamente, conduzindo-a através da multidão cintilante.
- Vamos sair daqui. Eu não gostaria que você tivesse um infarto antes de chegarmos à parte boa.
Um pânico delicioso lhe consumiu.
- Minhas coisas estão no hotel. Eu não tenho nada mais para vestir a não ser essa roupa idiota de cartomante.
- Você tem os diamante, meu amor - ele falou baixinho, estimulando-a a subir no lustroso helicóptero preto que continha sua logo. - É só isso que você vestirá no futuro próximo.
Lauren segurou em seu acento enquanto o helicóptero ascendeu como um pássaro na escuridão da noite, deixando a festa cintilante bem longe deles.
Diamantes e desejos, ela pensou. Mas a que preço?
***
Seu palacete abrangia toda a encosta da baía. Ainda a segurando pela mão, Alexandros a guiou entre jardins perfumados, por uma fonte de água, uma piscina azul iluminada e por portas de vidros até um quarto muito elegante. Uma cama de quatro mastros ocupava boa parte do quarto, emoldurada com leves tecidos brancos e coberto com almofadas de seda.
Lauren ficou parada, escutando o som tranquilizante das ondas do mar, dominada pela ansiedade enquanto sua mente se adiantou, montando imagens de como seria fazer amor em uma cama daquelas. Com um homem como aquele.
O momento se alongou, estava quase sendo torturada pela expectativa.
- Andros...
Suas mãos deslizaram pela sua cintura e ele a puxou para perto dele enquanto lhe beijava a boca faminto.
- Deite, Bela Adormecida - ele murmurou perto de seus lábios -, e eu lhe beijarei por cem anos até uma agulha lhe espetar os dedos.
Lauren se surpreendeu enquanto e.
- Você está confundindo os contos de fadas.
- Não importa. Você não acredita neles mesmo.
Ela estava começando a acreditar.
Ela estava começando a acreditar em felizes para sempre e em finais felizes. Com seu abraço ela poderia acreditar em qualquer coisa. Ela se sentia sexy, irresistível e feminina.
Cativada pelo brilho sombrio e perigoso de seus olhos, ela olhou fixamente para ele enquanto ele a colocava gentilmente sob a pilha de almofadas macias e se aproximava dela em um movimento leve e decisivo que não lhe deixou dúvidas em relação a suas intenções.
- Você está muito vestida. - Sua voz engrossou, ele desceu sua boca até a saliência de seu seio exposta por sua roupa apertada. - Desculpe-me por isso.
Sem mais avisos ele rasgou seu vestido, desde o decote até a bainha, rapidamente dispensado sua lingerie e colocando um seio desnudo em sua mão.
- Assim é melhor.
O calor no quarto estava sufocante e ela começou a sentir um formigamento pelo corpo enquanto ele passava sua mão de forma prazerosa em sua barriga, e foi descendo. Quando seus dedos relaxaram entre suas pernas, Lauren ficou tensa e gemeu perto de sua boca quando ele a tocou com uma habilidade certeira e exatidão fatal.
Febril e desesperada, ela puxou sua blusa, deixando exposto fortes músculos e puro poder masculino. Sua barba arranhava o bico de seus mamilos e Lauren abriu seus quadris, fazendo pressão em sua ereção, movida loucamente pelas sensações de dilatação dentro dela.
Seus dedos deslizaram para suas costas macias e calorosas e deram a volta em seu abdômen até que ela o cobrisse com a palma se suas mãos. Seu tamanho a chocou e ela sentiu uma pontada de apreensão de que ele talvez fosse grande demais.
- Relaxe, erota mou. - Ele murmurou as palavras contra sua boca, gentilmente. - Confia em mim.
Seu beijo foi lento e sexy, construindo a vontade dentro dela, criando uma tempestade de sensações que resultou em um pico de desejo gritante. 
Ela percebeu que ele estava pegando uma camisinha e então sentiu o auge de sua ereção contra a pele macia da parte de dentro de suas coxas.   - Agora - ela sussurrou, seus dedos apertando forte seu ombro macio e musculoso. - Por favor, agora.
***
CAPÍTULO QUATRO
- Eu nunca fui convidada para uma festa como essa.
Lauren sentiu como se estivesse caminhando por um conto de fadas. O hotel havia sido transformado em um paraíso mágico e cintilante, um milhão de pequenas luzes iluminavam as árvores, fogos de artifício clareavam o céu com uma intensa explosão de cores.
Ela se sentiu desorientada. Uma hora ela estava presa em uma tenda, se fazendo de cartomante, e na outra ele estava nos braços de um homem tão fatalmente atraente que seu corpo pegava fogo.
Tudo parecia um sonho. Era bom demais para se verdade.
- Lauren! O que você pensa que está fazendo?
A voz de sua chefe cortou seu sonho como a lâmina de uma faca e Lauren acordou e viu sua fantasia caída no chão, em farrapos. Definitivamente bom demais para ser verdade.
- Eu estava... - Ela seria despedida. Ela havia arriscado tudo por algumas horas com um homem. Como ela podia ser tão estúpida?
O vento frio da realidade lhe bateu no rosto e ela tentou se afastar, mas o homem a puxou para o seu lado com uma força poderosa.
- Ela está comigo. - Sua voz era dura e indesculpável, um desafio verbal travado cuidadosamente na frente de sua chefe que pedia muitas desculpas.
Colocada em contato íntimo com sua armação muscular, Lauren fez uma tentativa patética de se soltar, ofegante e consciente de suas coxas duras presas nas dela. A sensação se espalhou como fogo em sua barriga e ela o ouviu reclamar gentilmente em voz baixa.
- Pare de se retorcer.
Com o rosto em chamas, condenando-se à sua sentença, Lauren gelou.
- Gillian, eu posso explicar...
- Sr. Kozanitas? - Gillian soou chocada. - Eu não o reconheci no escuro. Eu, eu sinto muito ter me intrometido em sua noite.
Kozanitas? Lauren ficou boquiaberta com o homem que agora lhe segurava com força, entendendo então porque Gillian estava retraída.
- Eu sequestrei a sua cartomante. - Camadas de charme cobriam um interior duro feito ferro. - Algum problema com isso?
- Sem problemas. - Gillian gesticulou. - Fico feliz por você ter encontrado... algo para se entreter. - Ela se afastou, tropeçando em dois seguranças com sua pressa para sair.
- Ela faz um rottweiler parecer um brinquedinho fofo. - Lauren a observou ir embora, sentindo-se paralisada. - Acho que eu preciso encontrar outro emprego.
- Se ela te demitir, me avise.
Seu timbre estava frio como gelo e apesar de ela saber que ser demitida seria o provável desfecho, uma sensação acalorada se espalhou pelo seu corpo. Ele a havia defendido. Ninguém nunca havia feito isso antes. Ela estava acostumada a brigar na vida. Sozinha.
- Obrigada - ela disse rudemente e ele a puxou para perto em um contato espantosamente íntimo.
- Por que você deixa ela te intimidar?
- Porque ela paga o meu salário.
- Você devia achar outro emprego.
Se isso fosse fácil.
- Dito por um bilionário, é fácil. - Lauren deu um sorriso instável. - Você me disse que seu nome era Andros.
- Abreviatura de Alexandros.
- Ah. Então você é o assustador Alexandros. Kozanitas.
Ele deu um sorriso sarcástico.
- Eu sou assustador?
- Escrever seu nome é assustador. - Lauren murmurou em voz baixa, lembrando-se dos problemas que ela havia tido com a lista de convidados. - Todos estão extasiados porque você está aqui essa noite. Minha chefe está louca.  - E ela estava louca também em aceitar passar a noite com um homem como Alexandros Kozanitas. O que ela estava pensando? - Eu não posso sair sem ter outro emprego. Não que eu ache que alguém como você vai entender isso.
- Eu entendo. - O riso em seus olhos havia sido substituído por uma dureza e um calafrio que congelou seu sangue.
Frustrada com a mudança de sua expressão, ela olhou para outro lado.
- Eu não consigo nem imaginar você pobre.
- Isso porque eu fiz tudo que estava ao meu alcance para garantir que isso nunca aconteça comigo novamente.
E agora ele valia uma fortuna. Enquanto eles passeavam pelo salão aproveitando a diversão, ela não pôde deixar de reparar que todas as mulheres da festa estavam olhando para ela com inveja.
- O que você está fazendo comigo? - Lauren deu pulo quando uma explosão de fogos de artifício formou uma cascata de milhões de estrelas no céu. - Você devia estar com alguém coberta de diamantes.
- Eu concordo. Ele sorriu lentamente. - Então vamos lhe vestir de diamantes.
Ele a levou pela mão até uma tenda altamente protegida que abrigava uma coleção exclusiva de elegantes diamantes dos melhores designers do mundo.
- Não seja ridículo. - Lauren ficou paralisada.
Olhando para os seus olhos, ela sentiu sua boca ficar seca. Eles estavam no meio de uma multidão, mas ela só tinha olhos para ele. Ao levá-la ao seu encontro, sua coxa encostou-se à dela e o calor lhe contaminou, escaldando seus sentidos. A química era mais poderosa do que tudo que ela já havia sentido. A sensação intensa em seus quadris se intensificou e ela suspirou de forma irregular.
Confusa, perigosamente fascinada, ela deu uma olhada em sua boca e de repente soube que queria algo muito, muito mais do que um diamante. Ela queria beijá-lo. Mesmo sem testar sua teoria, ela sabia que ele era um homem que sabia exatamente como beijar uma mulher. E ela queria ser aquela mulher.
Quando ele inclinou sua cabeça em sua direção, Lauren começou a tremer.
- Você está pronta para se envolvida em diamantes? - Sua voz estava densa, com a mesma consciência chocante que lhe tirou o fôlego, e seu coração balbuciou.

- Estou pronta...
***
Estava sendo muito fácil, Alexandros pensou, olhando para o brilho em seus olhos enquanto prendia o colar de diamante em seu pescoço. Não havia nenhuma evidência de que a cartomante estava combatendo um dilema moral. Ela estava aparentemente muito feliz por ter trocado uma viagem com todas as despesas pagas com sua irmã por uma noite mais lucrativa com ele.
Imaginando o sofrimento que sua ganância iria causar, Alexandros sentiu uma fagulha de raiva. A instabilidade da natureza humana era uma lição a ser aprendida, ele pensou, mas quanto mais rápido sua irmã se tornasse mais cínica, menos ela precisaria de sua proteção.
- Eu não posso aceitar isso. - Contrariando as expectativas dele, ela levou as mãos à nuca e tentou soltar o fecho. - Não está certo.
- Você não gostou do colar?
- Não estou me referindo ao colar, me refiro ao fato de você estar me dando isso. Presentes como este vem com tem um preço - ela disse rudemente. - E será muito alto para mim.
- Deixe. - Alexandros tirou suas mãos do colar gentilmente e a virou para ele. - Está bonito em você.
- Eu não posso aceitar, e mesmo se eu aceitasse, aonde iria usá-lo?
Na cama comigo, Alexandros pensou imediatamente, se surpreendendo com seu pensamento, pois terminar a noite com esta mulher não estava originalmente em seus planos.
- Eu vou te levar a algum lugar em que você possa usá-lo. - E de repente ele quis de fato fazer isso. Ele quis tirá-la daquele evento beneficente ridículo e desnudá-la em particular.
Ela olhou para ele por um longo momento e depois deslizou lentamente os dedos pela maçã do rosto dele.
- O que você quer de mim?
Olhando para seus olhos azuis, Alexandros sentiu uma pontada de culpa. Ele quis provar para sua irmã que sua nova melhor amiga era uma falsa gananciosa. Mas subitamente suas intenções haviam mudado e ele queria outra coisa completamente diferente.
- O que eu quero de você? - Sem hesitar, ele deslizou suas mãos por seu cabelo macio e levou sua boca à dela em um beijo faminto e absorvente, respondendo sua pergunta com uma explosão de pura paixão.
***
CAPÍTULO TRÊS
Alexandros observou a cartomante com olhos apertados. Sua raiva ardente havia sido substituída por outro sentimento intenso e inebriante. Pura luxúria. O fato de ela estar usando uma fantasia apertada não ajudava a acalmar sua libido.
Corpo incrível, ele pensou. Só é uma pena sua moralidade.
Ele não tinha dúvidas de que a súbita amizade com sua irmã adolescente era motivada por uma atração pelo dinheiro, e para provar sua teoria ele estava prestes a colocar a tentação no caminho da cartomante. Se ela fosse tão sincera quanto sua irmã acreditava, ela diria não a ele e sairia antes da meia-noite para pegar o voo para Nova York para uma semana de programas femininos e passeios nos shoppings.
Alexandros tinha muita experiência com os efeitos destruidores do dinheiro para acreditar que ela estava sendo sincera.
Ele ainda não havia conhecido nenhuma mulher que resistisse à tentação da riqueza.
_ E então? _ Ele se moveu em volta da pequena mesa e lhe puxou pelo pé. _ Como soa para você uma noite de diamantes e desejos?
_ Completamente ridículo! _ Sua voz era bem suave e seus olhos estavam rindo. _ Tirando o fato de que eu nem sei o seu nome, a cartomante aqui sou eu. Trabalho para arrecadar durante o evento desta noite. Eu preciso ficar aqui até meia-noite.
E então ela pegaria um voo para extorquir sua irmã.
_ Quanto você está esperando arrecadar?
_ Humm... muito? O baile está arrecadando fundos para um novo aparelho de raio X para o hospital das crianças. Nós agradecemos qualquer doação.
_ Quanto custa o aparelho de raio X?
Ela se engasgou com a pergunta.
_ Eu, eu não sei. Mais dinheiro do que eu possa imaginar.
_ Mas não é mais dinheiro do que eu possa imaginar. _ Alexandros falou baixinho. _ Eu vou comprar o aparelho de raio X. E aí você fecha a tenda. De agora em diante, a cartomante está fora de serviço. Você é toda minha.
Ela estava estupefata.
_ Você vai comprar o aparelho de raio X? Só pode estar brincando.
_ Me parece uma boa forma de gastar meu dinheiro.
_ E é, mas... nossa. É muita generosidade sua.
_ E agora você não tem motivos para não ficar comigo esta noite. Só por algumas horas…  _ Ele enrolou, calculando mentalmente o tempo exato que a faria perder o voo. _ Não me parece justo você passar a noite presa aqui quando tem tanta coisa acontecendo lá fora.
Ela olhou para ele atentamente.
_ Você andou bebendo champanhe?
_ Nem uma gota. Por quê?
Ela estava cautelosa.
_ Porque homens como você que podem comprar um aparelho de raio X sem ao menos olhar o extrato bancário normalmente não se interessam por garotas como eu.
Alexandros olhou para seus seios macios e volumosos, quase não contidos pela roupa apertada.
_ Você é maravilhosa.
Seus lábios se separaram e então ela olhou por cima dos ombros, como se estivesse procurando por alguém.
_ Eu?
_ Nós somos as únicas pessoas nesta tenda.
Com olhos esbugalhados, ela olhou para ele.
_ Você está tentando fazer ciúmes em alguém ou coisa desse tipo?
Alexandros suspirou.
_ Não. Eu estou tentando elogiar você. Eu não sabia que seria tão difícil.
_ Bem, homens ricos e atraentes geralmente não chegam para mim e dizem que eu sou maravilhosa, então me desculpe se estou um pouco desconfiada.
Intrigado por ter conhecido alguém tão prevenido quanto ela em relação à motivação das pessoas, Alexandros sorriu.
_ Talvez você precise de um espelho.
_ Talvez você precise de uma luz melhor.
Ela tirou o cabelo do rosto de um jeito atrapalhado que mostrou a ele que ela não fazia ideia de onde isso iria parar. Foi uma mudança refrescante desde sua última namorada que se recusava a viajar sem que seu cabeleireiro fosse junto. Na verdade, se não fosse o fato de ela estar extorquindo sua irmã, ele teria gostado da cartomante.  
_ Eu tenho uma visão noturna excelente. _ Ele sussurrou e os olhos dela rolaram.
_ Aposto que tem. Aposto que você é extremamente treinado para enxergar no escuro.
_ Eu uso todos os meus sentidos. Então... você vai passar o resto da noite sozinha em uma tenda ou vai viver a vida intensamente?
Seus olhares se encontraram e Alexandros reconheceu nela a mesma desconfiança observadora que caracterizava seu tratamento às pessoas. Ele imaginou quem seria o responsável pelo véu de precaução que ela usava entre si e o mundo. Era irônico, ele pensou, que ele estivesse tentando desmascarar uma pessoa que aparentemente tinha tanto em comum com sua própria natureza.
Ela lambeu os lábios.
_ Você está realmente me convidando para passar a noite com você? Isso não é uma brincadeira?
Alexandros, que nunca havia tido que convidar uma mulher para sair duas vezes, estava abismado.
_ Isso não é uma brincadeira.
Ela olhou para ele por um momento e depois balançou a cabeça.
_ Não. Sinto muito. Você deve estar acompanhado. Um homem como você deve ter uma mulher linda e magra esperando por você em algum lugar.
_ Ninguém está esperando por mim. Eu não tenho uma parceira no momento, mas eu espero mudar esta situação muito em breve.
Ao invés de cair em seus braços, ela andou para trás.
_ Você é educado e eu não confio em homens educados.
Alguém deve tê-la machucado, ele pensou. E feio.
_ Eu não sou educado. _ Alexandros lembrou os anos em que havia passado se esforçando para ter a posição que tem agora. _ Eu não sou educado, não mesmo.
_ Mas você é impiedoso.
_ Só quando a situação requer que eu seja. _ Ele sorriu. _ Do contrário eu sou bem calminho.
_ Tecnicamente, assim como um tigre. _ Seu olhar estava ligeiramente caçoador. _ Você é tão calminho quanto eu sou uma cartomante.
Entretido, Alexandros pegou em suas mãos e a trouxe para perto de si.
_ Passe a noite comigo.
_ Por quê?
_ Porque eu quero conhecê-la melhor. _ E não só por causa da sua irmã. Ele queria descobrir o que havia acontecido em sua havia para lhe tornar tão cautelosa.
Ele queria descobrir como ela havia conhecido sua irmã e se ela precisava de dinheiro por alguma razão. Estaria ela com algum problema? Ou ela era apenas gananciosa?
Ela inclinou a cabeça.
_ Está bem.
Se não fosse pelo fato de ela estar decepcionando sua irmã sem nenhum sinal de hesitação ou arrependimento, ele teria gostado muito dela.
Imaginando o desapontamento iminente de sua irmã, Alexandros decidiu dar-lhe mais uma chance de fazer a coisa certa.
_ Se tem algum lugar que você deva estar esta noite, eu não quero ficar no seu caminho.
Sua hesitação foi tão rápida que mal deu para perceber.
_ Bem, eu deveria estar trabalhando, mas considerando que você acabou de pagar uma pequena fortuna...
_ E depois do trabalho?
_ Eu não vou fazer nada de importante.
Ao ouvir que seus planos com sua irmã haviam sido desfeitos tão levianamente, Alexandros sentiu uma pontinha de raiva momentaneamente
_ Boa escolha _ ele disse calmamente, escrevendo um bilhete.
Não importava o que havia acontecido em sua vida, ele disse para si mesmo. Ele não estava interessado em saber por que ela era tão cautelosa. Sua responsabilidade era para com sua irmã, não esta mulher.
Ela olhou para o bilhete.
_ Cartomante saiu para buscar sua sorte?
_ Prenda isso na tenda. Assim ninguém virá te procurar.
Rindo, ela fez o que ele sugeriu.
_ Isso é maluquice. Eu não faço ideia do porque eu aceitei isso. Eu nem sei o seu nome.
_ Você pode me chamar de Andros _ ele disse suavemente. _ E você está prestes a ter uma noite inesquecível.
 ***
CAPÍTULO DOIS
_ Você está em busca de conhecer seu futuro. _ Lauren olhou para o homem através do véu e desejou que ela nunca tivesse aceitado substituir a cartomante. _ Sente-se e eu lhe direi o que vejo. _ Mulheres se estapeando para ir para cama com você, ela pensou bobamente. Um rastro de corações por onde você passa.
Procurando em seu paletó, ele retirou um talão de cheques.
_ Quanto eu pago para ter o privilégio?
_ Eu não aceito dinheiro em troca do meu ofício _ Lauren gaguejou, improvisando freneticamente. Por que Madame Rostropov, a verdadeira cartomante, fora escolher logo esta noite para faltar? A última coisa que ela precisava era ficar sentada ali, enrubescendo. _ O dinheiro é uma doação para o hospital das crianças. Dê o que você puder dar. Sente-se. Eu devo olhá-lo nos olhos.
Ela não estava certa de que essa era uma boa ideia, levando em consideração que seu corpo ainda não havia se recuperado dos olhares trocados quando ele entrou na tenda. Mas o que ela deveria fazer?
Enquanto ele se movia, a luz da luminária de bolhas iluminou seu rosto e Lauren se sentiu abalada de repente. Ele era lindo, sim. Mas era uma beleza dura, fria. Desde a perfeição afiada de sua estrutura corporal até as firmes linhas de sua boca profundamente sensual, todas as suas características haviam sido desenhadas para o poder.
Lembrando-se de que homens excepcionalmente atraentes nunca se interessavam por ela, Lauren colocou suas mãos na luminária de bolhas e as tirou rapidamente quando se queimou. Ai.
_ Eu vejo um futuro brilhante para você. _ Ela se afastou, tentado lembrar o que sua chefe vil e implicante a havia dito para falar caso um homem entrasse na tenda. _ Você será rico e bem sucedido.
Um sorriso lento e mortal surgiu em seu semblante, e ele preencheu o cheque com ousadia.
_ Rico e bem sucedido eu já sou, meu amor. Diga-me algo que eu não sei.
Lauren olhou para o cheque que ele havia lhe dado e quase desmaiou. Só podia estar errado. Ela contou três zeros, cuidadosamente. Seis.
_ Um milhão de dólares?
_ Você me pediu para dar o que eu pudesse.
_ Para a maioria das pessoas isso significa dez dólares.
_ Eu não faço parte da maioria. Farei um negócio com você, Madame Rostropov. _ A forma que ele pronunciou o nome a fez estremecer.
_ Que negócio?
_ Se você adivinhar corretamente o que o futuro imediato me reserva, eu lhe darei outro cheque com a mesmo quantia.
_ Neste caso eu acho que seu futuro imediato será ressuscitar uma cartomante em choque. _ Lauren se abanou com o cheque e o colocou no corpete de seu vestido para guardá-lo seguramente. Se ela o perdesse, Gillian iria matá-la. _ Obrigada. Isso fará uma grande diferença para as crianças.
_ Agora nós já sabemos que eu sou rico, então me diga o que você vê.
Eu vejo um homem que sabe tudo que deveria saber sobre uma mulher, Lauren pensou rapidamente. Naquela tenda pequena e claustrofóbica, ela podia sentir o poder e a energia que pulsava nele.
_ Eu vejo que você conhecerá uma linda mulher.
Ela sentiu uma pontada de inveja daquela mulher sem nome, pensando como seria ser a namorada daquele homem.
_ Vocês passarão uma noite maravilhosa juntos. _ Essa era uma aposta bem segura, ela pensou. Era impossível uma mulher se despedir dele com um beijinho de boa noite na porta de casa. 
_ Continue.
Ele sorriu lenta e sedutoramente, o que fez seus ossos derreterem e seu cérebro viajar para um universo à parte, onde miseráveis organizadoras de eventos disfarçadas de cartomante terminavam a noite com bilionários.
Só que esse tipo de coisa nunca acontecia, acontecia?
Lauren voltou para sua realidade.
_ Eu espero que esta mulher se apaixone por você _ ela disse delirante _, e então você provavelmente irá largá-la e arruinar sua vida.
Ele levantou uma sobrancelha.
_ Você está dizendo o futuro dela ou o meu?
Lauren congelou.
_ Eu não quis dizer isso em voz alta.
_ Talvez _ ele sussurrou _, ao invés de arruinar a vida dela, eu possa lhe dar a melhor noite de sua vida. Você já pensou nisso?
 Sem avisar, ele se esticou e tirou seu véu. O tecido leve e tênue flutuou até o chão, mas nenhum dos dois prestou atenção nisso.  Envolvida pelo seu olhar perigoso e sombrio, Lauren se sentiu vulnerável e desconcertada. Os grandes músculos daquele homem emanavam poder bruto sob o paletó do smoking, fazendo o coração dela bater bem forte.
 _ Aquele véu era o meu disfarce.
_ Você está admitindo ser uma farsa?
Havia alguma razão para negar isso?
_ Eu sou uma farsa completa _ ela falou baixinho. _ Mas é para arrecadar dinheiro para as crianças. _ E se eu não o fizer, serei demitida.
_ Então você não faz a mínima ideia do que o meu futuro me reserva?
O que a verdadeira Madame Rostropovo responderia nessa situação?
_ Eu tenho certeza de que ele será maravilhoso _ Lauren disse timidamente. _ Você parece uma dessas pessoas que passam pela vida sem bater em nenhum obstáculo.
Seu olhar se direcionou para sua boca.
_ E existe algum obstáculo na sua vida?
_ A minha vida é um imenso obstáculo.
_ E quantas vítimas desavisadas já acreditaram nas suas previsões clichês até agora nesta noite?
_ Não muitas. Acho que na atual situação econômica nem as celebridades mais conceituadas querem pensar no futuro. _ Lauren brincou com a luminária. _ Ou talvez eu tenha falado tudo errado para eles. É possível.
A intenção de um sorriso tocou sua boca.
_ O que você falou para eles, Madame Farsa?
Ela hesitou.
_ Eu disse para a primeira mulher que ela conheceria um homem alto, moreno e atraente.
_ E ela não ficou satisfeita?
_ Ela ficou contente. Infelizmente, seu namorado baixinho e loiro que a aguardava do lado de fora da tenda não ficou muito feliz. Ele gritou comigo... _ Lauren suspirou profundamente. _ Depois disso, eu decidi não especificar muito. Falei sobre diamantes para uma ou duas pessoas. E falei bobagens sobre sonhos. _ Se sentindo culpada, ela observou suas unhas roídas. _ Eu me empolguei um pouco e também falei sobre desejos. Besteiras de contos de fadas, basicamente.
_ Você não acredita em contos de fadas?
_ Não. Apesar de eu achar que a vida é tão exaustiva que espetar meu dedo e dormir por cem anos poderia ser bom.
Um músculo tremeu no canto de sua boca.
_ E depois você seria acordada pelo um beijo de um príncipe?
_ Na minha vida o príncipe ia acabar sendo gay porque homens bonitos ou são gays ou casados.  _ Ela se recompôs. _ Desculpe. Você não pagou para escutar isso. Mas, honestamente, você não me parece o tipo de homem que deixa outra pessoa ditar seu futuro.
Ele transpirava confiança e autoridade e Lauren não conseguia imaginar nenhuma outra pessoa dizendo para este homem o que ele devia fazer.
Olhando para ela, ele se inclinou na cadeira.
_ Você não é o que eu imaginava.
_ Bem, você também não parece com quem costuma visitar uma cartomante. _ Não que ela soubesse, pois não era a verdadeira cartomante. _ Você quer um reembolso?
_ Não. Eu quero lhe dizer o seu futuro.
_ Isso é fácil, eu vou estragar tudo. _ Lauren escutou uma explosão de fogos de artifício e imaginou se estava vindo do lado de fora da tenda ou de dentro. O jeito que ele estava olhando para ela lhe tirou o fôlego e os sentidos. _ Eu sempre estrago as coisas.
_ Essa noite não. Essa noite você vai conhecer um homem alto, moreno, atraente e rico. _ Com a luz turva da tenda seus olhos maldosos brilhavam de forma sombria e perigosa. _ Você irá passar a noite com ele e ele fará todos os seus desejos se realizarem. Sonhos, diamantes e desejos, tudo em uma noite só. Bem vinda ao seu futuro, Madame Rostropov.

***
CAPÍTULO UM
_ Eu não posso substituir a cartomante! _ As pernas de Lauren Banks tremiam por baixo de seu uniforme de garçonete ridiculamente pequeno. _ Sinto muito que ela tenha lhes deixado na mão no último minuto, mas, por favor, não me peça para substituí-la... eu seria inútil.
_ Não tão inútil quanto você é como organizadora de festas!_ A chefe de Lauren sacudiu uma resma de papel raivosamente. _ Esta lista que você fez está completamente errada... os nomes estão todos misturados!
_ Isso foi porque estavam todos me apressando. Eu sou disléxica _ disse Lauren. _ Eu te disse que outra pessoa deveria checar a lista.
_ Eu acabei de me dirigir a um príncipe pelo nome errado_ gritou Gillian. _ Nós estamos em Monte Carlo, não Manchester. Esta festa é o evento para celebridades mais importante do ano. Minha reputação está em jogo.
 _ Vai ficar tudo bem. Eu vou conhecê-los e saudá-los e...
_ Como você pode conhecê-los e saudá-los se você nem sabe quem eles são? Esta lista está uma porcaria.
_ Eu sou boa em reconhecer rostos. Eu apenas me confundo na hora de escrever. _ E quando as pessoas perdiam a paciência e gritavam com ela, as coisas ficavam ainda piores. Escola, ela estremeceu. Professores.
Gillian rasgou a lista ao meio.
_ Eu quero que você fique onde possa causar o menor estrago possível. Tudo o que você deve fazer é dizer para as pessoas que elas viverão felizes para sempre. Até você consegue fazer isso.
_ Eu não acredito na felicidade eterna _ Lauren resmungou. _ A vida é dura. É injusto enganar as pessoas.
_ A vida vai ficar ainda mais dura se você não fizer isso. _ O rosto de Gillian estava vermelho. _ Você quer continuar neste emprego?
Lauren mordeu os lábios. Ela odiava seu trabalho. Até mesmo a viagem glamourosa de uma semana para Monte Carlo estava se transformando em um pesadelo. Mas a vida não era nenhum conto de fadas, era? Ela não teria ninguém para apoiá-la caso alguma coisa desse errado. Ela não tinha família para recorrer. Ela não tinha ninguém.
_ O que você quer que eu faça?
_ A verdadeira cartomante se autonomeia Madame Rostropov... _ Gillian praticamente a arrastou pelo salão iluminado, empurrou para dentro de uma pequena tenda e lhe entregou uma fantasia. _ Tome... vista isso enquanto eu tento resolver esta bagunça que você criou. Como se eu já não tivesse problemas suficientes, Alexandros chegará hoje, o que significa que o lugar vai ficar abarrotado de repórteres.
_ Quem? _ Sem prestar atenção, Lauren olhou para o traje, incrédula. _ Está faltando metade do pano.
_ Você tem que parecer misteriosa.
_ Isso é indecente.
_ Vista! _ Gillian exclamou. _ E o fato de você nunca ter ouvido falar em Alexandros Kozanitas é outro motivo para você ficar escondida nesta tenda. Não quero que você se meta nisso. 
_ Ele é importante?
_ Ele é um frio e impiedoso arrasador de corações, mas é também rico e poderoso e se ele comparecer à sua festa, você está feita.
 Lauren se retorceu dentro de sua roupa e retraiu-se.
_ Acho que a verdadeira Madame Rostropov não deve ter seios. _ Ela se olhou com desânimo. _ Eu pareço uma prostituta.
_ Ótimo. Desta forma, os homens farão mais contribuições.
Gillian se retirou da tenda e Lauren se jogou na cadeira, desejando que a verdadeira cartomante não tivesse escolhido logo esta noite para ficar doente e tentando imaginar como ela poderia prever um futuro feliz para uma pessoa enquanto sua própria vida estava sucumbindo em um desastre.
***
_ Ela não é uma falsária, Andros, ela é minha amiga. É por isso que nós vamos viajar juntos. Ela não tem dinheiro e eu tenho! Por que eu não deveria ajudá-la?
Digerindo aquela ingênua pergunta com uma descrença incrédula, Alexandros cerrou seus dentes e tentou imaginar qual pecado ele teria cometido para acabar sendo responsável pela irmã.
_ A sua amiga cartomante é uma sanguessuga, Eleni, que está te usando para conseguir umas férias bancadas em Nova York.
 _ Você está errado. Eu não sou mais uma criança. Eu tenho 17 anos. Pare de me proteger!
Alexandros desceu do helicóptero, cercado pela sua equipe de segurança. Eleni era sua única família. Ela pertencia a ele. Devido ao fato de ele sempre a ter protegido, ela não fazia ideia de como as pessoas eram.
_ Se eu estiver errado, ela não aceitará a proposta que eu vou oferecer para ela.
_ Proposta?
_ Uma noite comigo. Ela deve sair da festa antes da meia-noite para pegar o voo para Nova York. Se ela aceitar minha oferta, perderá o voo e isso nos mostrará o que precisamos saber sobre Madame Rostropov.
_ Você veio até Monte Carlo para seduzi-la?
_ Eu não estava planejando ir tão longe.
_ Mas você irá convidá-la para sair. _ Sua irmã explodiu. _ Isso não é justo... as mulheres nunca dizem não para você. Elas te olham uma única vez e começam a agir estupidamente. Se você magoar minha amiga, eu nunca mais vou falar com você!
Alessandro sorriu impiedosamente.
_ Se ela for realmente sua amiga, ela me negará. Ela não vai querer perder o voo.
_ Eu odeio você!
_ Não, você não me odeia. _ Terminando a ligação e guardando seu telefone no bolso, Alexandros passou pela multidão de celebridades de alto nível, desejando que meninas adolescentes viessem com um manual de instrução.
_ Alessandros... _ Sua anfitriã se adiantou em sua direção. _ Quanta honra.
Como as pessoas mudam, ele pensou. Há dez anos essa socialite não teria dado nenhuma atenção a ele.
O dinheiro fala mais alto.
Ele vislumbrou o salão do hotel, que havia sido transformado em um paraíso cintilante.
_ Festa impressionante.
_ Nós temos engolidores de fogo, mágicos... até uma cartomante.
Alexandros sorriu cinicamente. Caçadora de fortuna.
_ Eu gostaria de uma consulta particular com a sua cartomante.
_ Certamente você já conhece seu futuro… _  Sua anfitriã riu, flertando. _ Dominação global?
_ Dominação, sem dúvida _ Alexandros disse suavemente. _ Apesar de que esta noite eu estou pensando em uma coisa mais pessoal do que global.
_ Ela está na tenda atrás dos malabaristas. _ A mulher apontou. _ Vá. Descubra o que eu seu futuro lhe promete.
Ele sabia o que o futuro lhe prometia. Ele estava prestes a conhecer uma mulher manipuladora, mantê-la ao seu lado até que o voo 741 para Nova York tivesse decolado, e provar para sua irmã que a amizade daquela mulher estava sendo motivada por ganância.
Alexandros levantou a aba da tenda e entrou.
O interior estava coberto por um rico tecido vermelho e seus olhos levaram um instante para se ajustarem à luz escura e aos formatos fantasmagóricos criados por uma luminária de bolhas que ficava no centro de uma pequena mesa.
E então ele a viu.
 _ Bem-vindo.
Acima de um véu insignificante, um par de grandes olhos azuis se encontrou com os dele e Alexandros sentiu seu corpo se acanhar em uma reação tão básica, tão impetuosamente primitiva, que foi como se séculos de civilização houvesse se perdido em apenas um relance. O ar se aqueceu com uma tensão tão inesperada quanto indesejada.
Do lado de fora, fogos de artifício explodiram para o deleite dos convidados.  Risadas altas se misturaram aos sons musicais vindo de uma banda. Dentro da tenda havia um silêncio tenso _ uma consciência chocante e trêmula dos invisíveis fios de química que mantinham os dois petrificados.
Com disciplina, Alexandros engoliu seus sentimentos e impiedosamente esmagou aquela primitiva, pré-histórica parte de si que ameaçava explodir para a superfície. 
Ela era bem mais nova do que ele esperava. Era fácil entender porque sua irmã foi tão facilmente ludibriada. Esta mulher não parecia capaz de machucar uma mosca, muito menos planejar e executar uma complexa fraude.
Então, seu olhar se focou em seus atraentes seios, pouco contidos por seu vestido, e ele se lembrou que inocentes olhos azuis e um corpo delicioso eram as armas mais poderosas das mulheres.
_ Madame Rostropov?  
_ Humm, isso mesmo. Eu sou…  Madame Rostropov. _ Sua voz estava nebulosamente leve e levemente hesitante. _ Eu posso prever o seu futuro.
Alexandros sorriu sarcasticamente. Ele podia prever o dela.
         E o que ele via não era bonito.