segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Diamantes e desejo - Sarah Morgan - Capítulo I

CAPÍTULO UM
_ Eu não posso substituir a cartomante! _ As pernas de Lauren Banks tremiam por baixo de seu uniforme de garçonete ridiculamente pequeno. _ Sinto muito que ela tenha lhes deixado na mão no último minuto, mas, por favor, não me peça para substituí-la... eu seria inútil.
_ Não tão inútil quanto você é como organizadora de festas!_ A chefe de Lauren sacudiu uma resma de papel raivosamente. _ Esta lista que você fez está completamente errada... os nomes estão todos misturados!
_ Isso foi porque estavam todos me apressando. Eu sou disléxica _ disse Lauren. _ Eu te disse que outra pessoa deveria checar a lista.
_ Eu acabei de me dirigir a um príncipe pelo nome errado_ gritou Gillian. _ Nós estamos em Monte Carlo, não Manchester. Esta festa é o evento para celebridades mais importante do ano. Minha reputação está em jogo.
 _ Vai ficar tudo bem. Eu vou conhecê-los e saudá-los e...
_ Como você pode conhecê-los e saudá-los se você nem sabe quem eles são? Esta lista está uma porcaria.
_ Eu sou boa em reconhecer rostos. Eu apenas me confundo na hora de escrever. _ E quando as pessoas perdiam a paciência e gritavam com ela, as coisas ficavam ainda piores. Escola, ela estremeceu. Professores.
Gillian rasgou a lista ao meio.
_ Eu quero que você fique onde possa causar o menor estrago possível. Tudo o que você deve fazer é dizer para as pessoas que elas viverão felizes para sempre. Até você consegue fazer isso.
_ Eu não acredito na felicidade eterna _ Lauren resmungou. _ A vida é dura. É injusto enganar as pessoas.
_ A vida vai ficar ainda mais dura se você não fizer isso. _ O rosto de Gillian estava vermelho. _ Você quer continuar neste emprego?
Lauren mordeu os lábios. Ela odiava seu trabalho. Até mesmo a viagem glamourosa de uma semana para Monte Carlo estava se transformando em um pesadelo. Mas a vida não era nenhum conto de fadas, era? Ela não teria ninguém para apoiá-la caso alguma coisa desse errado. Ela não tinha família para recorrer. Ela não tinha ninguém.
_ O que você quer que eu faça?
_ A verdadeira cartomante se autonomeia Madame Rostropov... _ Gillian praticamente a arrastou pelo salão iluminado, empurrou para dentro de uma pequena tenda e lhe entregou uma fantasia. _ Tome... vista isso enquanto eu tento resolver esta bagunça que você criou. Como se eu já não tivesse problemas suficientes, Alexandros chegará hoje, o que significa que o lugar vai ficar abarrotado de repórteres.
_ Quem? _ Sem prestar atenção, Lauren olhou para o traje, incrédula. _ Está faltando metade do pano.
_ Você tem que parecer misteriosa.
_ Isso é indecente.
_ Vista! _ Gillian exclamou. _ E o fato de você nunca ter ouvido falar em Alexandros Kozanitas é outro motivo para você ficar escondida nesta tenda. Não quero que você se meta nisso. 
_ Ele é importante?
_ Ele é um frio e impiedoso arrasador de corações, mas é também rico e poderoso e se ele comparecer à sua festa, você está feita.
 Lauren se retorceu dentro de sua roupa e retraiu-se.
_ Acho que a verdadeira Madame Rostropov não deve ter seios. _ Ela se olhou com desânimo. _ Eu pareço uma prostituta.
_ Ótimo. Desta forma, os homens farão mais contribuições.
Gillian se retirou da tenda e Lauren se jogou na cadeira, desejando que a verdadeira cartomante não tivesse escolhido logo esta noite para ficar doente e tentando imaginar como ela poderia prever um futuro feliz para uma pessoa enquanto sua própria vida estava sucumbindo em um desastre.
***
_ Ela não é uma falsária, Andros, ela é minha amiga. É por isso que nós vamos viajar juntos. Ela não tem dinheiro e eu tenho! Por que eu não deveria ajudá-la?
Digerindo aquela ingênua pergunta com uma descrença incrédula, Alexandros cerrou seus dentes e tentou imaginar qual pecado ele teria cometido para acabar sendo responsável pela irmã.
_ A sua amiga cartomante é uma sanguessuga, Eleni, que está te usando para conseguir umas férias bancadas em Nova York.
 _ Você está errado. Eu não sou mais uma criança. Eu tenho 17 anos. Pare de me proteger!
Alexandros desceu do helicóptero, cercado pela sua equipe de segurança. Eleni era sua única família. Ela pertencia a ele. Devido ao fato de ele sempre a ter protegido, ela não fazia ideia de como as pessoas eram.
_ Se eu estiver errado, ela não aceitará a proposta que eu vou oferecer para ela.
_ Proposta?
_ Uma noite comigo. Ela deve sair da festa antes da meia-noite para pegar o voo para Nova York. Se ela aceitar minha oferta, perderá o voo e isso nos mostrará o que precisamos saber sobre Madame Rostropov.
_ Você veio até Monte Carlo para seduzi-la?
_ Eu não estava planejando ir tão longe.
_ Mas você irá convidá-la para sair. _ Sua irmã explodiu. _ Isso não é justo... as mulheres nunca dizem não para você. Elas te olham uma única vez e começam a agir estupidamente. Se você magoar minha amiga, eu nunca mais vou falar com você!
Alessandro sorriu impiedosamente.
_ Se ela for realmente sua amiga, ela me negará. Ela não vai querer perder o voo.
_ Eu odeio você!
_ Não, você não me odeia. _ Terminando a ligação e guardando seu telefone no bolso, Alexandros passou pela multidão de celebridades de alto nível, desejando que meninas adolescentes viessem com um manual de instrução.
_ Alessandros... _ Sua anfitriã se adiantou em sua direção. _ Quanta honra.
Como as pessoas mudam, ele pensou. Há dez anos essa socialite não teria dado nenhuma atenção a ele.
O dinheiro fala mais alto.
Ele vislumbrou o salão do hotel, que havia sido transformado em um paraíso cintilante.
_ Festa impressionante.
_ Nós temos engolidores de fogo, mágicos... até uma cartomante.
Alexandros sorriu cinicamente. Caçadora de fortuna.
_ Eu gostaria de uma consulta particular com a sua cartomante.
_ Certamente você já conhece seu futuro… _  Sua anfitriã riu, flertando. _ Dominação global?
_ Dominação, sem dúvida _ Alexandros disse suavemente. _ Apesar de que esta noite eu estou pensando em uma coisa mais pessoal do que global.
_ Ela está na tenda atrás dos malabaristas. _ A mulher apontou. _ Vá. Descubra o que eu seu futuro lhe promete.
Ele sabia o que o futuro lhe prometia. Ele estava prestes a conhecer uma mulher manipuladora, mantê-la ao seu lado até que o voo 741 para Nova York tivesse decolado, e provar para sua irmã que a amizade daquela mulher estava sendo motivada por ganância.
Alexandros levantou a aba da tenda e entrou.
O interior estava coberto por um rico tecido vermelho e seus olhos levaram um instante para se ajustarem à luz escura e aos formatos fantasmagóricos criados por uma luminária de bolhas que ficava no centro de uma pequena mesa.
E então ele a viu.
 _ Bem-vindo.
Acima de um véu insignificante, um par de grandes olhos azuis se encontrou com os dele e Alexandros sentiu seu corpo se acanhar em uma reação tão básica, tão impetuosamente primitiva, que foi como se séculos de civilização houvesse se perdido em apenas um relance. O ar se aqueceu com uma tensão tão inesperada quanto indesejada.
Do lado de fora, fogos de artifício explodiram para o deleite dos convidados.  Risadas altas se misturaram aos sons musicais vindo de uma banda. Dentro da tenda havia um silêncio tenso _ uma consciência chocante e trêmula dos invisíveis fios de química que mantinham os dois petrificados.
Com disciplina, Alexandros engoliu seus sentimentos e impiedosamente esmagou aquela primitiva, pré-histórica parte de si que ameaçava explodir para a superfície. 
Ela era bem mais nova do que ele esperava. Era fácil entender porque sua irmã foi tão facilmente ludibriada. Esta mulher não parecia capaz de machucar uma mosca, muito menos planejar e executar uma complexa fraude.
Então, seu olhar se focou em seus atraentes seios, pouco contidos por seu vestido, e ele se lembrou que inocentes olhos azuis e um corpo delicioso eram as armas mais poderosas das mulheres.
_ Madame Rostropov?  
_ Humm, isso mesmo. Eu sou…  Madame Rostropov. _ Sua voz estava nebulosamente leve e levemente hesitante. _ Eu posso prever o seu futuro.
Alexandros sorriu sarcasticamente. Ele podia prever o dela.
         E o que ele via não era bonito.

Leia também:
Capítulo II

Cortesia Harlequin Books