sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Baile de Caça - Capítulo VI - Pam Crooks

CAPÍTULO SEIS
Eric nunca havia recebido um presente como esse. A bela advogada não havia somente escolhido a ele no lugar do intelectual, sua antiga paixão, mas também havia realizado todas as suas fantasias em seu body vermelho e cintas-ligas de parar o trânsito. Ainda por cima, ela estava  voltando,  se  aproximava  enquanto  permaneciam  deitados  juntos  na  cama.  Mal conseguia pensar com a ninfa ruiva passeando com os dedos em seu peito e fazendo propostas indecentes em seu ouvido.
— Nossa primeira vez foi a que mais me diverti na cama em toda a minha vida. – admitiu Chloe enquanto sua mão vagava para debaixo dos lençóis. – Quer tentar quebrar o recorde na segunda rodada?
Pode  ter  certeza.  A  ideia  ressoou  por  sua  consciência,  apagando  o  pensamento recorrente de que precisava lhe falar, precisava confessar a situação desagradável que poderia surgir  profissionalmente  para  ambos  na  semana  seguinte.  Seu  corpo  pretendia  ter  uma conversa muito mais importante; e pelo visto o de Chloe também, julgando pela maneira com que deslizou uma perna acetinada pelas suas coxas. Enquanto uma das mãos dela vagavam em volta de sua cintura, a outra acariciava seus  maxilares, prolongando-se na cicatriz que estivera ali desde a infância. Espiou com um dos olhos e a encontrou estudando seu rosto com uma tenra preocupação que o desmontou completamente e despertou seu bom-senso.
— Chloe, espere. – Precisava contar sobre o projeto para o terreno na Broadway, mesmo que lhe furtasse a chance de estar com ela.
– Nós precisamos ter uma conversa.
Ela franziu o cenho, seus lábios macios contraindo-se em uma expressão lasciva de desagrado.
— Não me diga que acabaram os preservativos.
— Na verdade, sou tão maníaco por controle quanto você, e estou preparado para mais algumas rodadas. – Seu dedo desejou tocar aqueles lábios sensuais, traçar seu contorno de um arco de cupido exagerado.  – Há uma coisa que preciso lhe contar antes de irmos adiante.
Eric apoiou-se em um cotovelo, preparando-se para os possíveis danos:
— Deveria ter lhe dito antes, Chloe, em nome da transparência. Depois que não consegui fechar o acordo do centro cultural, decidi propor um projeto diferente para o terreno ao lado do seu prédio histórico. – Aguardou ela começar a atirar roupas no seu rosto, mas a mulher parecia estar escutando, ainda. – E não envolve a propriedade do seu cliente de forma alguma. Mas já solicitei os papéis para as permissões necessárias.
Será que ligaria para o seu cliente antes mesmo que ele saísse pela porta? Não que ele fosse partir sem apresentar alguns argumentos. Chloe o encarava por sobre o travesseiro, de olhos bem abertos. Que ótimo, provavelmente estava em estado de choque, horrorizada por ter dormido com um sujeito que retinha informação.
— E você por algum motivo achava que eu já não sabia disso? – levantou uma sobrancelha castanha.
– O que você acha que sou, uma caloura em Direito? Uma continuação ruim de Legalmente Loira?
Chloe o encarava de volta, sentindo-se bastante satisfeita consigo mesma por tê-lo surpreendido.  Vivera a vida inteira acostumada que esperassem perfeição dela, não estava acostumada a ser subestimada.
— Você sabia? – parecia francamente cético. Bobinho.
— Informações  de  zoneamento da  cidade são  abertas  ao  público. Desde que fui contratada para  representar a sociedade histórica, tenho um assistente jurídico conduzindo buscas frequentes por pedidos de  autorização na região da Broadway. – Deu de ombros. Parecia-lhe uma medida bastante básica. Eric a olhava como se tivesse acabado de resolver o problema do aquecimento global. Um fato que  causou nela uma inesperada satisfação, um prazer delicado que era, ao seu próprio modo, tão forte quanto a arrasadora satisfação sexual que ele havia lhe proporcionado uma hora antes.
— Você está me dizendo que sabe que quero construir apartamentos do lado do seu prédio histórico, e você não se importa?
A onda de prazer diminuiu:
— É claro que me importo. Não tenha dúvidas de que nós vamos nos ver de novo no tribunal por  conta desse caso. Mas não acredite que vou lhe dar algum desconto por causa desta noite.
Eric suspendeu ambas as mãos, como que se rendendo:
— É melhor eu procurar um bom advogado para mim. Você talvez seja um pouco além do que  consigo dar conta. – Seus dedos deslizaram através do lençol e pousaram no ombro dela, e então traçaram uma linha até o colo. – No tribunal, digo. Acho que entre quatro paredes consigo me virar muito bem.
Seu toque enviou ondas de choque através do corpo de Chloe, acelerando seu pulso e lembrando-a que não estava vestindo absolutamente nada por debaixo dos lençóis.
— É melhor você acordar de manhã cedo se quiser encontrar algum advogado que se iguale a mim. – Provocou ela, fechando os olhos em resposta às suas carícias errantes.
— Vai ter que esperar até segunda-feira. – ele afastou os cabelos dela para beijar seu pescoço. Por toda parte. – Tenho casas para construir amanhã.
Será que ouviu direito?
— Casas  para  construir?  –  virou-se  para  trás,  fugindo  do  beijo  que  ameaçava embaralhar seus pensamentos. – Você não tem permissão para construir nada naquele terreno ainda.
— Não estou falando dos apartamentos. Faço trabalho voluntário para a Habitat for Humanity nos finais de semana. Construo casas todos os sábados desde o colégio.
Talvez estivesse com uma expressão confusa, porque Eric imitou o ato de bater um prego com um martelo.
— Você sabe como é, construção. Como um carpinteiro.
Pode ser também como o garanhão operário da construção civil dos seus sonhos. Assistira comerciais de refrigerante suficientes durante a vida para ter adquirido a fantasia do homem  suado,  sensual  e  de  macacão  de  operário.  A  boca  de  Chloe  secou  enquanto visualizava os músculos de Eric Matteo em  uma camiseta velha. Não estava soando muito aristocrático para ela. Para falar a verdade, estava soando delicioso.
— Você quer dizer com um cinto de ferramentas? – Chloe esclareceu. – Ferramentas?
– precisava certificar-se antes de aceitar conclusões que poderiam pôr seu coração em risco. – Achei que você fosse tão burguês novaiorquino quanto eu. — Não sou. – franziu o cenho, seus intensos olhos azuis escurecendo até se tornarem quase negros. – Isso faz alguma diferença para você?
— Cresci em uma casa cheia de pessoas tão reservadas que não podiam dar uma festa de aniversário para a filha sem consultar as colunas sociais… por isso eu diria que sim, faz diferença para mim. Não pretendo começar um relacionamento sério com um homem que dê importância a esse tipo de aparências. – Foi golpeada por visões de seu gladiador em jeans azuis e cinturão de ferramentas – Se você é esse sujeito pé-no-chão que parece ser, isso me dá um ponto de vista completamente novo.
Eric alcançou no outro lado da cama e a puxou para perto dele. Bem perto:
— Significa que um relacionamento comigo é iminente.
Um calor espiralou pelo corpo dela, junto com uma antecipação de algo que ia muito além do sexo.
— É uma possibilidade.
— O negócio está fechado, conselheira, e nem pense em discutir para se safar dessa. – Ele contornou a curva de seus quadris com a mão, encaixando-a à sua excitação ao trazê-la mais para perto.
— Achei que fosse a Rainha de Copas esta noite. – Discutiu, simplesmente porque achava divertido disputar com ele. Secretamente divertia-se durante seus duelos no tribunal por sua sagacidade e inteligência.  Tinha a sensação de que apreciaria cada vez mais seus encontros pessoais.
— Então parece que você já tem trabalho, que é fazer uma garota da cidade apaixonar- se perdidamente por um novo-rico de classe média como eu.
— Estou um passo à frente da testemunha, como de costume. – Chloe alisou com os dedos os cabelos de Eric e aproximou a boca dele da sua. Suas amigas jamais acreditariam no quão  bem-sucedida havia  sido a  caça  no baile  essa  noite. –  Esta  missão romântica  em particular já está concluída.
Olhava-a  à  meia-luz,  parecendo  tão  bronzeado  e  perigoso  quanto  um  gladiador romano, e tão musculoso e sexy quanto um operário:
— Então vou passar a noite lhe oferecendo uma pequena previsão do seu futuro, Chloe, e te mostrarei o quanto vou te amar. Você topa partir para a uma vida de aventura?
Chloe mordeu o lábio como se realmente deliberasse sobre a questão, e então exibiu um sorriso inocente:
— Na verdade, fiz um pacto sobre maior ousadia…
Eric derrubou-a na cama antes mesmo que pudesse terminar a provocação. E Chloe tinha toda certeza de que esse homem traria os melhores tipos de turbulência, mudança e amor para sua vida, no final das contas.