sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Baile de Caça - Capítulo V - Pam Crooks

CAPÍTULO CINCO
Eric não teve que esperar muito para a advogada entrar em ação.
— Talvez eu seja um pouco maníaca por controle, mas reservei um quarto nesse hotel para não precisar ter que tomar um táxi e atravessar a cidade vestida de Dama de Copas. – confidenciou Chloe  enquanto o rebocava para fora do salão de baile do hotel, longe dos foliões mascarados. – Isso nos dará um pouco de privacidade.
— Perfeito. – isso também serviria para dar a ele uma oportunidade com a qual havia sonhado desde a primeira vez em que sentiu o perfume dela. – E que conste dos autos que eu aprovo da sua natureza prática e seu excelente planejamento, Chloe. – Eric não perdeu tempo em apertar o botão “sobe” do elevador mais próximo.
Esperava que Chloe ela ainda estivesse interessada nele segunda de manhã, quando descobrisse sua  proposta de projeto para o terreno ao lado do prédio histórico que havia lutado tanto para proteger no  tribunal, no último mês. O mais provável era seu cliente, da sociedade histórica, não ficar exatamente feliz com a ideia de Eric de apartamentos a preços módicos. Mesmo com Chloe do lado deles, não conseguiriam sustentar o caso no tribunal para impedirem o empreendimento de Eric. Enquanto subiam os dez andares até  a  suíte, Eric assegurou-se de que ficaria feliz com o fato de que suas vidas pessoais não precisavam ser afetadas por suas relações no tribunal. Não ficaria?
Chloe  abriu  caminho  adentro  na  suíte  escura  e  acenou  para  que  entrasse.  Eric engasgou-se com a própria respiração ao vê-la sorrir provocativamente, o agitar intencional da saia para mostrar alguns  centímetros a mais de suas pernas. De forma alguma arriscaria desperdiçar a noite falando de trabalho. No momento, a única coisa que desejava era sentir o gosto, o toque e o cheiro de Chloe Leclaire.
— Entre. – Chloe indagou se aquela voz ofegante pertencia mesmo a ela.
A luz do corredor transbordava para dentro do quarto por trás da silhueta de seu gladiador romano. Por mais impressionante que fossem a aparência de Eric Matteo e as placas de bronze acentuando sua musculatura, Chloe ansiava por despi-lo, para deslizar os dedos por sobre a pele quente ao invés do metal frio. Eric entrou no quarto escuro, um ato simples que pareceu submetê-la à turbulência e mudança que a vidente havia previsto.
— Podemos ligar uma das luzes? – Eric perguntou enquanto fechava a pesada porta do hotel por trás de si.
— Ainda não. — Sentia-se mais confortável no escuro. Além disso, a sala parecia ter sido atingida por um tornado já que havia se aprontado para a festa lá. — Daqui a pouco. – por enquanto tudo que ela queria era pôr as mãos nele... o quanto antes melhor.
Mal conseguia lembrar-se da última vez em que um homem havia tocado nela… tempo demais,  mal conseguia lembrar. Se o calor que emanava da sua pele era alguma indicação, nunca esqueceria esta noite – nem Eric. Esperava ser capaz de desgrudar-se dele pela manhã.
— Está arrependida? – sussurrou ele, pressionando-a em direção à cama ao aproximar- se cada vez mais.
— Com certeza, não. – Desejava este homem muito mais do que jamais desejou ganhar qualquer caso no tribunal, e isso era muito para uma mulher que havia esculpido com unhas e dentes, a carreira dentro  de  uma grande firma de advocacia. Não importava o que Chloe havia dito a suas amigas, sentia-se atraída por Eric de uma maneira muito mais que física. Seu raciocínio rápido na bancada de testemunhas a havia intrigado tanto quanto suas qualidades de garanhão — Tive que passar por cima de um cavaleiro medieval e duas rainhas históricas superprotetoras para poder ficar sozinha com você. Não vou recuar agora.
Chloe sentiu o calor do corpo de Eric se aproximando, respirou o almíscar de sua loção de barbear e a suave potência do hálito de uísque. O ventre se agitou de desejo, que irradiou em direção aos seus membros e fez formigar cada centímetro de seu corpo. Eric a fez recuar contra a cama, até as panturrilhas tocarem o colchão. O peito a tocou, uma placa de bronze contra o cetim vermelho. O coração dela  acelerou  acompanhando sua respiração ofegante. Lentamente, Eric despiu a camisa de sua fantasia, num gesto que Chloe observou sob a luz indistinta que se infiltrava por debaixo da porta do quarto de hotel.  Músculos pulsavam na silhueta obscura de ombros e braços.
— Acho que você vai recuar. – a voz dele ecoou por entre o minúsculo espaço que os separava. – Agora mesmo.
Inclinou-se  por  sobre  ela,  arqueando-a  contra  o  suave  conforto  do  colchão. Acompanhou-a,  manteve seu corpo cobrindo o dela. Equilibrou seu peso com os braços plantados ao lado dos ombros de Chloe. Sua excitação tocou seu quadril coberto de cetim e causou um doloroso e inquieto apetite entre suas coxas. Chloe não conseguia responder, não conseguia falar. Contentou-se em enlaçar seus dedos pelos cabelos do homem e puxá-lo mais para perto, para beijá-lo nos lábios, para sentir o leve roçar de sua barba por fazer. Seus dedos encontraram o relevo de uma pequena cicatriz próxima ao maxilar, e ela a beijou também. Um dia perguntaria sobre a cicatriz, mas não agora. Não enquanto a mão aberta dele escorregava pela perna até alcançar a coxa. Não enquanto suas mãos calejadas pelo trabalho demoravam- se por sobre as meias de seda, nem enquanto passava um dedo por debaixo do tecido fino para suavemente soltar a presilha. Em algum canto  obscuro de sua mente registrou que aquelas mãos calejadas não combinavam com uma vida de economista.  Os  dedos que afastavam a fivela pendente de sua liga careciam da suavidade comum em seu mundo aristocrata. Algo naquele homem e suas arestas ásperas a virava do avesso.
Chloe se contorceu debaixo dele, impaciente para ver-se livre de vestido. Adivinhando seus pensamentos de forma tão clara quando como se os houvesse dito, Eric abriu o zíper de seu vestido vermelho de cetim e escorregou-o por suas pernas.
— Preciso ver você. – Eric alcançou por sobre a cabeceira para ligar a luminária na sua potência mais baixa.
Chloe piscou com o brilho, mas o tom rouco de Eric assegurou-lhe que não notaria a situação calamitosa em que se encontrava o quarto.
— Minha nossa, Chloe.
As palavras dele a surpreenderam, forçando-a a abrir os olhos. Eric encarava sua
lingerie  impassivelmente  —  um  body  arrastão  vermelho  com  sutiã  embutido  que  havia comprado em uma das mais disputadas lojas de lingerie de Manhattan.
— Que foi?
— Você definitivamente não é tão reprimida quanto parece.
— Desapontado? – caminhou com os dedos partindo do peito até o cós da calça dele, e pousou a mão espalmada sobre sua ereção, junto ao quadril.
Ele inspirou fundo e agarrou a mão errante:
— Com certeza, não.
Acostumada a conseguir o que queria, Chloe não permitiu que seu aprisionamento temporário  impedisse uma exploração. Simplesmente levantou os quadris para acariciá-lo com outra parte de sua anatomia. E não demorou muito para que desse a causa como ganha. As calças de Eric foram parar no chão junto com sua calcinha em tempo recorde. Antes que pudesse propor delicadamente a questão do preservativo, Eric já havia colocado um.
Deliciou-se com sua vitória, deleitando-se com o momento em que Eric insinuou-se para o seu  interior. O calor do corpo, o afago da sua língua sobre os seios semicobertos levaram-na para próximo de  um nível de êxtase sobre o qual ela havia somente sonhado. Espalmou o abdomen dela enquanto se  encaixava mais profundamente, e alcançou abaixo para tocar seu centro pulsante. Com o lento avanço e recuo de seu toque, Eric a provocou e atiçou  até  que  ela  gritou  seu  nome  alto  suficiente  para  acordar  o  andar  inteiro.  Eric  a acompanhou; não tão alto, mas com a mesma potência. As endorfinas de uma tigela inteira de sorvete de chocolate com nozes e marshmallow não chegavam nem perto do puro prazer de seu  arrebatamento.  E como tudo que dava tanto prazer assim, Eric Matteo poderia ser um grande erro. Havia acabado de entregar seu corpo, sua alma, talvez até mesmo seu coração para um homem do mundo corporativo endinheirado que a sufocaram a vida inteira. Será que conseguiria  alegremente  aceitar  o  abrigo  daqueles  braços  e  fingir  que  a  manhã  jamais chegaria?