quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Sheik de Sophie - Capítulo III - Alexandra Sellers

CAPÍTULO TRÊS
O estranho reagiu contrariado. Mas o insulto não o atingiu, e Sophie ansiava por apagar daquele homem a expressão de desdém e autossatisfação.
_ Não sabia que você é um dos Senhores do Mundo. Deve ser uma tortura _ ela acrescentou com sarcasmo.
_ Pare com este jogo! _ exigiu de modo rude. _ O que espera ao chegar aqui e cruzar meu caminho?
_ Você está sonhando! _ gritou Sophie, indignada, mas percebeu que não tinha razão.
Mal sabia por que havia atravessado o limite do hotel. Talvez, inconscientemente, porque esperava encontrá-lo, mas jamais admitiria. Imaginou quantas mulheres ele havia seduzido e expulsado daquelas terras. Era insuportável que ele considerasse Sophie uma delas.
_ Que direito tem de achar que vim aqui atrás de você? Tem certeza de que não foi você que veio procurar por mim?
Antes que ela fizesse qualquer movimento o cavalo se mexeu para mantê-la prisioneira. Isso mostrava como ele a tinha nas mãos. Agora estava em pé ao lado do joelho dele, com um misto de medo e indignação. O cabelo ruivo e as belas pernas a tornavam ainda mais atraente.
O estranho mirou o rosto de Sophie. Os olhos escuros dela estavam mais suaves, e seus lábios pareciam tocados pela inocência. Não era de admirar que a primeira impressão que o cavaleiro tivera fosse falsa. Nada da sua verdadeira natureza era evidente. Parecia tudo o que um homem poderia desejar, agora mais do que nunca.
_ É claro que vim procurá-la _ afirmou.
A resposta simples e direta a deixou amedrontada. Sophie olhou para ele fixamente. O sol batia nas costas do estranho, e ela ficou duplamente cega. Primeiro porque os olhos dele cintilavam, depois por causa do sol, que abraçava sua figura máscula.
_ O… O quê? _ balbuciou, perplexa e amedrontada.
_ Não pude acreditar em meus olhos quando a reconheci. Pergunto de novo: por que veio?
_ O que você quer? _ ela sussurrou.
Os olhos dele luziram ao se fixarem nos de Sophie.
_ Você sabe o que eu quero.
Ela prendeu a respiração. O sol já estava alto, mas um arrepio de excitação a varou dos pés à cabeça.
_ E sem dúvida acha que só precisa me pedir! _ disse em tom ríspido, aborrecida com a própria fraqueza.
_ Não _ desdenhou ele. _ Mas, quando você se jogou tão obviamente no meu caminho, percebi que desejava algo em troca. Quanto quer? Advirto que não pagarei nada exorbitante.
A boca de Sophie nunca se abriu tão indignada. Por segundos ela simplesmente emudeceu.
_ Quem, diabos, você pensa que é? E quem pensa que sou?
_ Sei quem é você, Sophie, muito mais do que imagina.
Se tivesse jogado um balde de água fria nela não ficaria mais desorientada. Sophie arfou e pulou para trás, o pânico a invadiu.
_ O… O quê? _ balbuciou.
_ Por que está fingindo ignorância? Acha que sou tão idiota assim?
A respiração dela tornou-se lenta e assustada.
_ Quem é você? _ perguntou. _ Como sabe meu nome?
Ele riu e jogou a cabeça para trás, mas o som não era agradável. Era um riso de pura indignação e ameaça.
_ Deixe-me em paz! _ ela gritou. Por instinto, virou-se e correu.
Só voltou a pensar no que acontecera depois de ultrapassar o marco do hotel. Diminuiu a velocidade, tentando ouvir o som das patas do cavalo, mas escutou apenas o grito de uma ave marinha.
Quando olhou para trás, a praia estava vazia.