quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Sheik de Sophie - Capítulo II - Alexandra Sellers

Após um ou dois minutos, ela avistou o cavalo negro aproximando-se. Pressentiu que logo estaria perto e esse pensamento trouxe uma sensação de perigo. Teria ela invadido propriedade privada? E se o estranho achasse que ela o procurava? Sophie parou e logo deu meia volta em direção ao hotel. A rocha não estava distante, mas, mesmo que chegasse lá antes que ele a alcançasse, suas pegadas revelariam que estivera naquele ponto.
O cavalo estava cada vez mais perto. Sophie sentia as batidas poderosas dos cascos na areia. As vibrações subiam por sua espinha. Sentiu medo e, por conta própria, apressou-se. Corria como se sua vida dependesse disso, ou como se o estranho fosse um caçador, e ela, a presa.
O cavaleiro ultrapassou-a, tão perto que ela pôde ouvir a respiração do cavalo. E então parou de repente, virando-se de tal maneira que o cavalo e sua montaria bloquearam o caminho de volta para o hotel. Ela parou. Por um momento se encararam, o silêncio quebrado apenas pelo som das ondas e batimentos do coração de Sophie. Faltavam ainda vinte metros para ela alcançar a rocha.
_ O que faz aqui? _ A voz áspera do estranho combinava com o rosto de feições fortes.
Território dele ou não, o tom a aborreceu. Como sabia que ela não tinha se enganado?
_ E quem quer saber?
Ele sorriu.
_ Eu quero! Como ousa vir aqui?
Ela desconhecia completamente o país e seus costumes. Não tinha ideia do que significava invadir uma propriedade privada nos Emirados Barakat. Ou quais eram os direitos de um proprietário quando encontrava um invasor. Pelo modo como a olhava poderia ter sobre ela direito de vida e de morte, pensou Sophie, com um toque de sarcasmo.
Tal pensamento despertou nela rebeldia.
_ Se quer que eu saia de suas terras, tire o cavalo do meu caminho _ disse, com modo rude.
O homem ergueu a cabeça com uma fúria quase real. Era poderosamente belo, parecia um guerreiro do deserto. Ela podia imaginá-lo nos exércitos do grande Saladino, marchando para combater os infiéis. Tremeu involuntariamente quando o olhar dele a penetrou como uma faca.
_ Não é prudente para uma pessoa como você usar este tom de voz comigo _ respondeu o estranho, com desdém.
A despeito do calor crescente, Sophie estremeceu.
_ Uma pessoa como eu? _ repetiu. _ Há algo que não sei ou o simples fato de ser uma mulher me desqualifica como parte da humanidade?
Ela se desviou do cavalo para continuar seu caminho, mas, sob o domínio do cavaleiro, o animal moveu-se para bloquear de novo sua passagem. Sophie apertou os lábios e olhou para a praia. Não havia ninguém.
_ Não é por ser mulher _ disse ele com frieza.
Ela vestia short cinza e um top que revelavam uma boa parte de seu corpo. Perfeitamente respeitáveis em Vancouver, mas inadequados para os costumes daquele lugar.
O coração de Sophie começou a disparar. O inglês dele era fluente, o que significava que recebera educação. Mas, de algum modo, quando olhou de frente aquele rosto moreno, tudo o que viu foi poder absoluto. Ela se virou mais uma vez, e de novo o estranho manobrou o animal para impedir sua passagem.
_ Deixe-me voltar!
_ Não devia ter vindo aqui. Por que veio?
Ele estava tão à vontade montado no cavalo, que parecia ter nascido em cima dele. Segurava a rédea de modo leve, quase negligente. Mas aquela mão seria firme quando necessário, refletiu ela. A outra mão repousava no quadril com ar arrogante, enquanto lançava um olhar de desdém para Sophie.
_ Talvez não tenha notado que estou tentando sair de suas preciosas terras.
_ Não me refiro à praia, e você sabe disso.
Sophie olhou para cima.
_ Quer dizer que estas terras não são suas? _ O medo aumentou. _ Então qual é o problema? _ Ele ergueu o braço e apontou a distância.
_ Minha propriedade começa naquele ponto, e você sabe disso.
_ Esta informação não consta do manual de orientação do hotel _ respondeu, ríspida. _ Será que não está se dando importância demais?