quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Sheik de Sophie - Capítulo I - Alexandra Sellers

À exceção do homem no cavalo negro, Sophie ficava sozinha na praia todas as manhãs.
Ao alvorecer, ela corria um quilômetro à beira-mar, ida e volta, do hotel à rocha. Descobrira bem depressa que, no calor dos Emirados Barakat, o começo da manhã era o único momento em que podia se exercitar.
A cada manhã, ela via o cavaleiro de expressão ríspida montado no puro-sangue. Ele vinha de um ponto distante além da rocha, o marco final. Quando estava a meio caminho da volta, cruzava novamente por ela.
Na primeira manhã, praticamente não a notou ao passar com sua túnica branca esvoaçante, levantando areia atrás de si. No dia seguinte, ele foi pela água, erguendo uma nuvem de gotas que capturava o rico nascer do sol e envolvia o homem e seu corcel numa nuvem reluzente. Sophie o cumprimentou erguendo uma das mãos. Ele respondeu com um aceno de cabeça digno da realeza.
Na terceira manhã, ele observou Sophie com os olhos negros semicerrados, enquanto passava por ela lentamente e mais perto do que antes. Seu olhar ameaçador a fez perder o fôlego e tropeçar na areia. O estranho provavelmente encurtou a distância que percorria, porque se virou, aproximando-se dela outra vez, só que por trás, como se tivesse a intenção de amedrontá-la.
Sophie se perguntou se o cavaleiro não gostava de sua presença naquela praia, pois sem ela cavalgaria solitariamente. Ela se informou de novo no hotel e lhe disseram que a praia estava à disposição dos hóspedes até a rocha. Portanto, não estava invadindo território alheio e não deixaria de correr só porque aquele homem queria o mundo todo para ele.
Era difícil crer que os outros visitantes não quisessem sair para ver o nascer do sol. Sabia que havia pouco turismo nos Emirados Barakat, mas um deserto tão grande numa praia linda como aquela era quase inacreditável.
Ou talvez os modos do cavaleiro tivessem espantado a todos.
Sophie nunca imaginara ou estivera em um lugar tão belo. O mar se transformava misteriosamente de verde-esmeralda para turquesa e então safira, como se mudasse de humor sem que as pessoas percebessem. Além da praia, despontava uma escarpa coberta de árvores, cuja sombra aliviava o calor intenso do dia.
Longe do mar, a praia era da areia mais fofa e macia. À beira d’água, tornava-se firme sob os pés, onde as pegadas ficavam por apenas alguns minutos antes de a maré subir e apagá-las.
Os rastros do cavalo não desapareciam tão facilmente. Eram mais profundos na areia molhada, cada um moldando um vale minúsculo de areia. Quando o mar os banhava, em vez de destruir os buracos, formava milhares de pequenas poças, num padrão que se estendia ao longo do caminho.
Desde a primeira ida à praia, ela sentira o impulso de ultrapassar o marco do hotel, seguir as pegadas até sua origem e descobrir de onde vinha o tal cavaleiro. Todas as manhãs, voltava relutante, como se tivesse dado as costas a algo de grande importância.
Na volta, o mar apagava suas pegadas de ida, mas as do corcel ainda eram visíveis.
No quarto dia, quase chegando à rocha, a rotina dela foi quebrada pela ausência de sinais do cavaleiro. A praia estava tomada pela luz do sol. A sombra de Sophie se esticava longa e estreita em direção às árvores. Mas não havia marcas na areia à frente.
Talvez ele não apreciasse mesmo sua presença. Estaria cavalgando em outro lugar? Ficou desapontada. Gostara de partilhar o belo nascer do sol com o estranho, mesmo que aparentemente não fosse bem-vinda.
Sophie chegou à rocha e, em vez de voltar, continuou a correr.