segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Noturno - Lupi Poeta

Passo meus dedos sobre as formas
ao meu alcance...
O caderno aberto,
a caneta com contornos de metal barato
e sinto o frio que o dia de chuva acumulou
nos objetos  que sinto
e incomodam a quem sempre se acostumou
a tirar da pele o que persegue minhas vontades

 O dia nublado faz o
papel das venezianas
e adianta a noite...
 Suporte para solidão
escolhida
em troca de uma alegria que não conto
nem sob açoite...
Mas que é fácil de ler nas entrelinhas
que sempre deixei...
Juntos as mãos...
Não vou rezar não Deus
E só pra diminuir o frio dos objetos queridos
mas que não enganam o calor que falta...

É perigoso falar dessas coisas antes da madrugada
Mais difícil ainda é eu não rir como se minha
coragem detida sempre durante o dia
hoje estivesse sendo enganada pela curiosidade da falta de
luz...

Ah! Esse perigo que eu corro durante o dia
Se um dia eu for descoberto nem sei...
De dia sou um número exato do censo
E você pode encontrar em artigos da magna carta
o ser humano que sou...

A noite eu sou a falta completa de senso...
A noite eu confesso qualquer coisa...
Desde de que saibam a pergunta que quero responder
ou saibam perguntar de forma que eu não possa fugir...

Noturno - Lupi Poeta