terça-feira, 11 de janeiro de 2011

De minhas Mãos, Castelos


Sou  como uma ampulheta
E cada grão de areia
que escorre dela
é como uma pessoa
que passou em minha vida
E deixou mais amor que eu merecia
mais almas fartas de colorido que a minha

Não me doem tanto
Tenho essa falta de amparo...
Mas em minhas mãos suadas
envolvo muito dessa porção que me doaram...
Tento desesperadamente recolher de volta
o que dela escorreu
com minhas mãos inábeis  o que me deram
Mas delas escorrem mais escorregadias ainda
pois já não me pertence  mais...
Formam duna de carinhos que nem mereci...
onde vagueio...
Devaneio...

E hoje como quem engana o tempo virei
o que é em mim essa ampulheta
Como que precisa resgatar
o bem que espalharam em minha volta...
Devo ter outra chance de ver cheio meu coração
do que me deram...
Vou tentar ter as mãos mais firmes
um coração mais menino
mais, muito mais devaneios...
mãos mais simples...
anseios mais ingênuos

Com essa areia construir um castelo de baile
Há de ter alguém que dance comigo
Uma música inteira...

Lupi Poeta